Dicas de especialistas podem fazer toda a diferença na hora de acertar as contas com a Receita Federal. Informar ao Fisco sobre uma reforma no imóvel, por exemplo, garante uma economia no futuro. O problema é que pouca gente conhece essas “manhas” e, a cinco dias do prazo limite para enviar a declaração, a pressa pode atrapalhar o contribuinte. Por isso, a regra de ouro é não deixar o envio para a última hora.

Na avaliação do contador Márcio Reis, é necessário respirar e concentrar-se na tarefa para que nada fique para trás.

Um dos exemplos citados pelo especialista é a reforma do imóvel. Embora não seja possível atualizar os valores do bem no decorrer dos anos com base no mercado, é possível informar à Receita as melhorias feitas nele ao longo dos anos. Como reflexo, na hora da venda é possível reduzir consideravelmente o imposto sobre o ganho de capital, que é de 15%.

Segundo Reis, se o imóvel foi comprado por R$ 300 mil e vendido por R$ 500 mil, o imposto deve ser cobrado sobre R$ 200 mil. Porém, se as reformas realizadas ao longos dos anos forem declaradas, elas contam como “valorização”. Dessa forma, o ganho de capital será menor e, consequentemente, o imposto será cobrado sobre uma base menor.

“Se a pessoa investir R$ 100 mil em pintura, ampliações e troca de piso durante os anos, o imóvel comprado por R$ 300 mil valeria R$ 400 mil. Se ele for vendido por R$ 500 mil, o imposto seria cobrado sobre R$ 100 mil e não sobre R$ 200 mil”, explica.

Como comprovante, ele destaca que é possível anexar contratos de prestadores de serviços, como pedreiros, e até notas fiscais de depósito de construção. “O importante é comprovar o gasto para não cair na malha fina”, afirma.
 
COMPROVANTES
O mesmo vale para despesas dedutíveis em geral, como médico e dentista. Até as vacinas podem ser declaradas. Desde que elas sejam aplicadas em clínicas médicas. Farmácias e laboratórios não são dedutíveis.

“Se a pessoa não tiver o comprovante, ela não deve declarar o gasto”, comenta o especialista em Imposto de Renda da Crowe, oitava maior rede global nas áreas de impostos, auditoria e consultoria, Daniel Nogueira.

Ele afirma, ainda, que é fundamental que todos os informes de rendimento sejam declarados para que não haja problemas. “Às vezes, a pessoa tem um trabalho principal, mas faz um job para alguém recebendo por RPA. Se não declarar, vai cair na malha fina”, alerta.

Os erros manuais também são comuns e colocam os contribuintes em risco. Conforme Nogueira, na pressa, as pessoas invertem os números na hora de digitar, ou esquecem de colocar os centavos. E, acredite, um número errado faz toda a diferença. Afinal, os dados são confrontados por programas de computador.

Outra dica do especialista é com relação aos dependentes. Antes de declará-los é necessário avaliar se é vantajoso. Se o filho for universitário e tiver um estágio remunerado, por exemplo, a renda dele deve ser somada à do declarante. Se ao somar houver mudança de faixa, pode não ser interessante.
 
RETA FINAL
Até quarta-feira, 44% dos mineiros ainda não tinham acertado as contas com o Leão. Isso significa que das 2,87 milhões de pessoas que deveriam preencher o formulário, apenas 1,62 milhão o enviaram à Receita.

A multa para quem perder o prazo é de 1% sobre o valor do imposto devido e pode chegar a 20% do montante, com valor mínimo de R$ 165,74. Para quem faz a retificação e tem imposto a pagar, a multa será calculada sobre a diferença entre os valores informados. Ou seja, se o contribuinte informou R$ 100 antes e R$ 120 após retificar, a multa será cobrada sobre R$ 20. Por isso, a solução para aliviar o bolso é encaminhar o que der e, depois, retificar as informações.