ENTREVISTA

Marcos Pacheco aposta em sucesso e crescimento do time

Campeoníssimo treinador começou os trabalhos no clube esta semana

Larissa Durães
Publicado em 25/07/2022 às 23:09.
 (Larissa Durães)

(Larissa Durães)

Com 12 finais de Superliga, o técnico Marcos Pacheco chega ao Montes Claros América Vôlei querendo o oitavo título na competição - o quarto como treinador. No entanto, tal conquista não deve vir na temporada 2022/2023. Sincero e realista, o novo comandante avalia as condições de conquista neste papo com o O Norte. O primeiro objetivo será colocar o time montes-clarense entre os melhores do país. Para, quem sabe, um daí, brigar pelo troféu.

“Nossa realidade hoje não é para isso. Algo impede que em algum momento se torne possível? Não! Então, o que temos que fazer hoje é ter uma equipe competitiva, que alcance etapas, para motivar comunidade e patrocinadores”, destaca Pacheco, de 54 anos e natural de Gravataí (RS).

Experiência não falta ao novo comandante, que conta não ter sido tão vitorioso como jogador. “Fui mediano, não obtive grandes conquistas”, admite. No entanto, a carreira fora das quatro linhas o credencia a fazer um excelente trabalho na condução do Montes Claros - na temporada passada, por exemplo, comandou o Campinas, se classificou para os playoffs da Superliga.  
 
Há quantos anos você respira vôlei?
Como técnico estou há 28 anos, mas comecei a me envolver e jogar há 40 anos. 
 
Como você foi como jogador?
Fui mediano, não obtive grandes conquistas. Joguei nas equipes do sul: Frangosul, Grêmio Náutico União e Chapecó. Mas conquistas significativas não tive.  
 
Treinou algum destes times onde jogou?
No Ginástica Novo Hamburgo, fui atleta e depois técnico uma temporada. Foi muito bom, porque a cabeça de atleta é diferente da cabeça de técnico. Muitas vezes o técnico tem que tomar atitudes que não são simpáticas. É diferente. Foi uma transição bacana. Estava em um ambiente que conhecia e isso me favoreceu.   


Qual a maior emoção que você teve como jogador?
Foi no campeonato gaúcho, em um ano que nós não tínhamos a mínima possibilidade teórica de vencer e vencemos. Para mim, este talvez seja o momento bem importante. E depois em uma quartas-de-final, quando ainda era Liga Nacional, não era nem Superliga. Participei e tivemos alguns sucessos. Dentro do meu mundo, da minha realidade, eram importantes, mas em termos de resultados não foram tão significativos.
 
Como técnico qual a maior conquista? 
Tive a oportunidade de participar de 12 finais de Superliga e ter sete conquistas como técnico e auxiliar, sul-americano, Copa Brasil. Talvez a primeira conquista como técnico na Superliga teve um impacto, porque foi a primeira final (2007-2008). Foi jogo único. Então, a temporada toda você botava naquele jogo (a final foi contra o Minas). A noite anterior foi intensa, interminável, porque pensava: será que o, Minas vai mudar? Vai entrar com qual jogador? Será que eu mudo um pouquinho? Será que tento surpreender eles? Será se mantenho o time? Naquele momento era uma experiência nova pra mim, e de uma situação de campeonato nova também, porque não se tinha a oportunidade de errar, porque não tinha outra chance.  
 
Qual o jogador mais brilhante que você treinou?
Tive a oportunidade de trabalhar com jogadores, extremamente diferenciados, mas teve um, que trabalhei quando estava na Unisul: Marcos Milinkovic, um argentino, talentosíssimo. Trabalhei com Carlão, um líder nato, impressionante. No ciclo de jogadores da seleção, tive a oportunidade de trabalhar com Bruninho e Lucão, jogadores que ganharam tudo. Uma temporada trabalhei com Giba, Lucarelli, Gilson mão de pilão. Por isto é difícil dizer um desses tantos jogadores, seria até injusto nomear só um jogador para dizer este foi o melhor.  
 
Qual o time mais forte que já viu jogar no Brasil?
Não sou velho, sou antigo, sou da época que tinha Pirelli e Bradesco, a seleção brasileira ela concentrava nessas duas equipes.Os jogadores eram Bernardo, Montanaro, Renan, Amauri, Xandó. Teve o Suzano, o Minas. Depois apareceu a Cimed, no Sul, onde fui técnico (Pacheco alcançou quatro títulos de campeão da Superliga, das temporadas 2005/06, 2007/2008, 2008/2009 e 2009/2010), e agora neste momento, o time do Cruzeiro, é um absurdo o que eles tiverem de competência e capacidade de ganhar. Mas se devo dizer um, acho que foi o Cruzeiro com Leal, Simon, William levantando... de uns três anos atrás, porque eu como técnico do Sesi, fiz duas finais contra eles, e era muito difícil jogar contra eles. Eles tinham um poder de arsenal de ataque de variações, era muito complicado.   
 
Os montes-clarenses podem sonhar em fazer parte deste ciclo um dia? 
Sou muito realista. Por isto, sempre brinco que não gosto de viver no show de Truman, que é aquele mundo fantástico, lindo maravilhoso, mas que é falso, não existe. A nossa realidade hoje não é pra isso. Algo impede que em algum momento se torne possível? Não! Então o que temos que fazer hoje é uma equipe competitiva, temos que alcançar etapas, motivar a equipe, a comunidade, os patrocinadores... O esporte não. Mas você tendo um investimento maior, tem condições de contratar jogadores de nível técnico mais alto e criar, assim, uma possibilidade maior. Este ano o que devemos fazer é resgatar estes momentos (passados) que Montes Claros teve e fazer com que o público volte ao ginásio com a esperança e com uma possibilidade de vitória. E, passo a passo, para que um dia quem sabe, chega a este ponto de estar dentro do ciclo dos melhores. Não é impossível, não! Porque os ingredientes tem: Montes Claros é uma cidade grande, é um centro de uma região Norte de Minas, é a capital, tem um público apaixonado pelo voleibol e que já demonstrou isso antes, tem grandes empresas, tem pessoas como o Andrey Souza, que é um apaixonado. Então, nada impede porque os ingredientes estão aqui. Cabe aos personagens potencializar e tentar buscar isto.

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