“O Campeonato da Cidade continuou em 1956 e foi o mais melancólico da história do clube. Eliminado do terceiro turno, o time estrelado encerrou a temporada disputando um torneio de consolação contra outras equipes desclassificadas. As partidas formaram a preliminar dos jogos do terceiro turno. Apesar de ter vencido todos os jogos, o Cruzeiro não levou o título por ter utilizado o time reserva, contrariando o regulamento da competição”. 

O texto do Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro, conta o drama vivido pela Raposa há exatos 65 anos. A partir do próximo domingo, o desafio de Enderson Moreira e seus comandados é evitar que essa história se repita.

Na quinta colocação do Módulo I do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro está hoje fora das semifinais da competição. O clube só depende dele para seguir na briga pelo título, pois na última rodada encara sua adversária direta pelo G-4, a Caldense, no Estádio Ronaldo Junqueira, em Poços de Caldas. Duas vitórias apenas não bastam aos cruzeirenses, por causa do saldo de gols, com a Veterana hoje tendo uma vantagem de quatro (6 a 2).

Mas não se pode esquecer que no confronto entre os dois clubes cada gol do Cruzeiro vale dobrado nessa briga direta com a Caldense, o que pode “facilitar” as coisas para a equipe de Enderson Moreira.

Caso não tenha sucesso na briga pelo G-4, o Cruzeiro, que irá disputar o Troféu Inconfidência, que reunirá do quinto ao oitavo colocados da fase classificatória do Módulo I, estará voltando a ficar de fora do grupo dos quatro primeiros colocados do Campeonato Mineiro depois de 65 anos.
 
HISTÓRIA
Em 1955, o Cruzeiro fez campanhas muito ruins nos dois primeiros turnos da competição. No primeiro, vencido pelo Democrata, de Sete Lagoas, ele foi o oitavo colocado numa competição que contava com nove clubes. Ficou à frente apenas do Metalusina, de Barão de Cocais.

No segundo turno, conquistado pelo Villa Nova numa melhor de três contra o Atlético, a Raposa melhorou um pouco sua posição, mas ficou apenas na quinta colocação. Na somatória dos dois turnos, fez 14 pontos. O adversário mais próximo foi o América, que marcou 18. O Leão fez 16, mas tinha se garantido como campeão do segundo turno. 

CONSOLAÇÃO
No Torneio Coronel Oscar Paschoal, disputado já em 1956, pois o Campeonato Mineiro de 1955 invadiu a temporada seguinte, o Cruzeiro fez 6 a 4 no Sete de Setembro, goleou o Asas, de Lagoa Santa, por 4 a 1, e encerrou sua participação fazendo 4 a 2 no Metalusina.

Mas só os pontos deste último jogo foram conquistados pelos cruzeirenses. Nas duas primeiras partidas, o clube usou uma equipe alternativa, contrariando o regulamento, e perdeu os pontos. Assim, o título do Torneio Coronel Oscar Paschoal, chamado também de Torneio de Consolação, ficou com o Sete de Setembro.

Após 65 anos, o Cruzeiro entra em campo no próximo domingo, quando recebe a URT, às 11h, no Mineirão, e depois na quarta-feira, 29 de julho, diante da Caldense, no Ronaldo Junqueira, em Poços de Caldas, às 21h30, tentando evitar que volte a disputar um Torneio de Consolação do Campeonato Mineiro.