O zagueiro Dedé voltou a dar entrevistas após um longo período longe dos holofotes e câmeras. O jogador, que está no Rio de Janeiro após mais uma cirurgia no joelho direito, deu sua versão de todas as acusações que sofreu em sete meses, desde setembro de 2019, quando apareceu publicamente para um pronunciamento oficial na Toca da Raposa II depois que Rogério Ceni foi demitido do clube.

Dedé falou abertamente de vários temas, inclusive do rebaixamento do Cruzeiro à Série B. Em relação à queda, o zagueiro afirma que a "ficha não caiu até hoje". Ele ainda disse que não consegue explicar direito o motivo pelo descenso celeste. "A cabeça de um atleta conta muito para boa fase e fase ruim. Acho que atingiu o psicológico de todos, de forma muito forte, e foi difícil a gente controlar isso, difícil para a gente sair dessa situação".

O atleta também falou sobre a experiência de alguns jogadores, que não foram capazes de ajudar. "As coisas estavam apertando, muita pressão. A gente estava jogando e parecia que o campo estava inclinado, tecnicamente estava difícil tocar a bola, taticamente difícil de sair jogando. Entrou em um desespero e quem tinha experiência não etava conseguindo ajudar os inexperientes. Foi muito difícil, inexplicável. Você tenta entender, e eu também não consigo entender até hoje, tanto que a ficha não caiu. É dificil explicar", relatou em entrevista ao programa Seleção Caseira, versão "home office" da atração do canal fechado Sportv.

Em recuperação pelo procedimento cirúrgico, Dedé disse que jogou machucado para tentar ajudar o Cruzeiro. 

"Eu dava minha vida, tentata de tudo, chegava no vestiário, gritava, pressionava, falava do potencial de cada um. Cito até nomes, como o Pedro Rocha, cheguei no vestiário transtormnado, falei, Pedro, vamos cara, olha tudo o que você fez e produziu no Grêmio para sair, tenta ficar calmo. Orejuela, pelo amor de Deus, concentra no seu posicionamento, porque está dificil, cara. Já fiz mais de 20 coberturas para você. Estou citando o nome sem criticar. No momento de dificildade, estava tão desesperado que explodia, chegava no vestiário estourado. Abalou muito o psicológico. Tentei de tudo, machucado, corria, nos últimos jogos corria mancando, fui ao meu limite, contra o Corinthians eu fui arrastando. Aqueci de uma forma e não consegui aquecer. Estava tão preocupado que pensava que eu teria que ajudar de alguma forma. Difícil explicar e entender o que aconteceu", disse. 

O rebaixamento do Cruzeiro foi uma surpresa para os jogadores. Tanto que Dedé afirma que no começo da temporada havia planos de conquistar títulos, até pelo elenco que havia sido montado. No entanto, o próprio jogador reconhece que, em detrimento de algumas competições, o Campeonato Brasileiro foi "empurrado com a barriga". 

"Nós mesmo lá dentro achávamos que brigaríamos por títulos, porque em 2018 havia sido um ano maravilhoso para todos. Começamos muito bem 2019. Deixamos atrasar um pouco o Brasileiro, se preocupando com Copa do Brasil e Libertadores, e fomos empurrando com a barriga o Campeonato Brasileiro. Até que chegou um momento em que apertou. Em relação às polêmicas, eu tentava não ficar focado nisso, não me atingir, mas atingia muito o elenco, pois se falava muito de crise, falava que as coisas no Cruzeiro complicariam. Quem fica lá dentro fica com medo. A gente tinha um elenco muito unido e eu também fui muito atingido por alguns torcedores pelo fato de não querer ver um pouco de desunião, de desavença, um jogador virando a cara para o outro, tentava harmonizar tudo junto com os jogadores mais antigos e que tinham uma hostória no Cruzeiro. O que mais pesou no Cruzeiro, além das crises externas, foi a ficha não cair na posição que a gente estava. A gente estava com um time bom, sofrendo muito sem conseguir sair do buraco, e isso pesou bastante. Chegou na reta final para saber onde tava e quando a gente viu já era tarde", comentou.