O veterano centroavante Loco Abreu, de 44 anos, atração da partida entre Cruzeiro e Athletic neste domingo, às 16h, no Mineirão, pela quarta rodada da fase classificatória do Módulo I, encara no time de São João del-Rei o desafio de escrever mais um capítulo na rica história do futebol uruguaio em Minas Gerais.

Além de treinadores e jogadores, a relação passa também por momentos históricos vividos pela Celeste Olímpica em nossos gramados, como protagonista ou coadjuvante.

É uma trajetória que teve os primeiros momentos marcantes há 75 anos. Em 1946 e 1947, o bicampeonato mineiro do Atlético abriu a impressionante marca de dez títulos estaduais em 13 possíveis numa série encerrada com a taça de 1958. E o comandante alvinegro era Félix Magno, uruguaio de Las Piedras e que teve longa carreira no futebol brasileiro, sendo que em Minas passou também pelo América.

Logo depois, em 2 de julho de 1950, o Uruguai iniciou sua caminhada na Copa do Mundo goleando a Bolívia por 8 a 0 no Independência. Pela desistência de alguns países, num momento em que ainda eram fortes os reflexos da Segunda Guerra Mundial, o grupo 4 da primeira fase teve apenas uruguaios e bolivianos, e os celestes se classificaram para o quadrangular final, garantindo a taça ao bater o Brasil por 2 a 1, de virada, num Maracanã lotado, na última rodada da fase decisiva.

Ainda em 1950, Ricardo Díez, treinador que marcou época no futebol mineiro, foi o comandante do Atlético na vitoriosa excursão à Europa com o clube voltando com título simbólico de Campeão do Gelo, imortalizado inclusive no hino.

Díez chegou a Minas Gerais para treinar o América, em 1949, mas logo assumiu o comando atleticano e fez história. Com 184 jogos, é o quinto treinador que mais dirigiu o Galo, atrás apenas de Barbatana, Levir Culpi, Procópio Cardozo e Telê Santana. Nesta temporada ele deve perder o posto para Cuca, que tem 153 partidas.
 
MINEIRÃO
A inauguração do Mineirão teve quase duas semanas de jogos comemorativos, e apenas dois dias após o selecionado mineiro fazer 1 a 0 no River Plate, da Argentina, o estádio recebeu, em 7 de setembro de 1965, o primeiro jogo da Seleção Brasileira, que foi representada pelo time do Palmeiras. E o adversário foi o Uruguai, derrotado por 3 a 0.

Arrascaeta é o mais marcante 
No fim dos anos 1960, os jogadores uruguaios começam a entrar de forma definitiva na história do futebol mineiro, num intercâmbio que tem como novo integrante Loco Abreu.

Em 1968, numa tentativa de arrumar um marcador para Natal, o endiabrado ponta-direita do rival Cruzeiro, o Atlético contratou o lateral-esquerdo Cincunegui, destaque do Nacional. Ele foi campeão mineiro, em 1970, e brasileiro, em 1971, mas como reserva do time comandado por Telê Santana.

Em 1972, para a disputa da primeira Libertadores da sua história, como campeão brasileiro do ano anterior, o Atlético apostou na contratação daquele que era apontado como o melhor goleiro do mundo na época, o uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, que já tinha jogado as Copas de 1966 e 1970, quando brilhou, e depois participaria ainda em 1974, como jogador do Galo. Apesar do cartaz, sua história alvinegra não teve nenhuma taça.

Ainda nos anos 1970, o centroavante Revetria foi o grande nome do Campeonato Mineiro de 1977. Foi o primeiro jogador a fazer um hat-trick no clássico, no Mineirão, nos 3 a 2 do Cruzeiro no segundo duelo da final e marcou mais uma vez nos 3 a 1 que garantiram o título da Raposa, sendo que seu gol, o de empate, é o que levou o confronto para a prorrogação, quando os celestes fizeram 2 a 0.
 
JOGADOR E TREINADOR
Em 1985, Walter Olivera, que chegou para ser o xerife da zaga atleticana, encerrou a carreira de jogador e iniciou a de treinador assumindo o time do Galo no lugar de Vicente Lage, o 109, no início de outubro. Em 15 de dezembro do mesmo ano, ele encerrou sua passagem pelo clube conquistando o título mineiro em cima do Cruzeiro.

Depois de 14 anos, outro treinador uruguaio levou o Atlético à conquista estadual. O título de 1999, numa final direta contra o América, teve Dario Pereyra no comando.

Em 1987, Carlos Alberto Silva, que dirigia o Cruzeiro até o início do mês de março, foi o primeiro treinador a sair de um clube mineiro para a Seleção. Em 28 de março, ele fez sua estreia comandando a Seleção Olímpica num amistoso justamente contra o Uruguai. E a partida, vencida pelo Brasil por 1 a 0, gol de Valdo, foi no Gigante da Pampulha.

Reformado por dois anos e meio, na primeira temporada após a reabertura, o Mineirão sediou, em 26 de junho de 2013, uma das semifinais da Copa das Confederações. E o confronto foi justamente Brasil 2 x 1 Uruguai.

Athletic tem camisas esgotadas 
O número 13 nas costas, o nome Loco Abreu abaixo dele e uma bandeirinha do Uruguai próxima ao pescoço. A tradicional camisa alvinegra do Athletic, de São João del-Rei, virou objeto de desejo de amantes do futebol do Brasil inteiro, fenômeno provocado pela contratação do veterano centroavante uruguaio que neste domingo encara o Cruzeiro, às 16h, no Mineirão, pela quarta rodada do Mineiro.

“Nós tivemos uma explosão de vendas num curto espaço de tempo. Gente do Brasil todo comprando. Esgotou a camisa, e estamos esperando uma nova remessa, que deve chegar na semana que vem, para seguirmos entregando os pedidos”, revela Vitor Gualberto, assessor de comunicação e marketing do Athletic, que está de volta à elite do futebol mineiro após meio século de ausência.
 
RETORNOS
Procurado pelo Athletic desde 2019, quando o clube ainda estava no Módulo II do Campeonato Mineiro, Loco Abreu chegou a São João del-Rei com dois desafios. O primeiro deles, que é dar visibilidade ao clube, supera as expectativas, não só pelas camisas esgotadas, mas pela repercussão que a volta do uruguaio ao futebol brasileiro provocou.

Ele foi presença nos principais programas de esportes da televisão e teve a chegada ao Athletic destacada até no site oficial da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).
 
RESULTADO
Se o retorno financeiro e de marketing está garantido, em campo, até agora, o Athletic aparece como a grande surpresa do Campeonato Mineiro.

O clube ocupa a terceira colocação, atrás apenas de Atlético e América. Os seis pontos conquistados, além da vaga no G-4 do Estadual, dão tranquilidade para a primeira briga do clube neste Módulo I, que é evitar o risco de rebaixamento. Nas três rodadas, a única derrota foi para o América.

O jogo deste domingo tem o poder de mudar o rumo da trajetória do Athletic no Campeonato Mineiro. O empate faz parte dos planos e será comemorado, e uma derrota não abalará a confiança. Mas se conseguir a façanha de derrotar o Cruzeiro, o time de Loco Abreu muda de patamar no Estadual e se consolida como sério candidato às semifinais. (A.S.)