A consolidação de Montes Claros e região como polo farmacêutico e o campo de atuação com amplas possibilidades são dois dos atrativos que fomentam a busca crescente pela qualificação profissional na área de farmácia. Dados do Conselho Regional de Farmácia em Minas Gerais (CRF-MG) apontam para mais de 30 mil farmacêuticos registrados, capacitados para atuar em diferentes áreas como saúde, indústria e pesquisa.
Na cidade, o Centro Universitário Funorte foi uma das primeiras a apostar na implantação do curso, pela professora doutora Dorotheia Smith, e segue, há mais de 20 anos, formando profissionais generalistas, prestando assistência farmacêutica e atuando no desenvolvimento de fármacos e medicamentos.
A farmacêutica Janine Kátia, há 12 anos atuando como professora na instituição, declara que a representatividade dos profissionais é imensa. A satisfação de vê-los atuando em diferentes campos na cidade, seja na saúde pública municipal, nas indústrias que chegaram ou nos diversos hospitais da cidade, é igualmente satisfatória para Janine. “Os alunos têm sido contratados a partir de estágios e depois de formados. Temos um nome e uma qualidade de ensino que garantem que o aluno saia preparado para atuar como profissional farmacêutico. Nossa preocupação como professora é formar e formar bem para o mercado de trabalho. São mais de 190 áreas de atuação”, explica.
A professora destaca que as novas áreas, como estética, perícia judicial e meio ambiente, entre outras, têm absorvido esse profissional. “Na parte estética, por exemplo, o farmacêutico habilitado está apto à formulação de protocolos estéticos personalizados, à aplicação de protocolos, e, diferentemente de outros profissionais, o farmacêutico está capacitado para desenvolver fórmulas, desde que especializado e liberado pelo Conselho a partir de um registro”.
FARMÁCIA CLÍNICA
Uma das áreas relevantes da farmácia é a atuação hospitalar. A farmacêutica e professora Cleia Prado, segunda coordenadora do curso a partir da sua implantação, destaca que, graças ao compromisso com a educação superior e à visão profética dos fundadores da Funorte, Ruy e Raquel Muniz, foi possível a preparação de mão de obra qualificada para o mercado. Atuando na assistência farmacêutica do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), Cleia explica que o ciclo naquela unidade é extremamente avançado e correspondente ao exercício da medicina praticada na instituição.
“O farmacêutico, além das suas atribuições na logística do medicamento, que vai desde a seleção do medicamento nos mercados nacional e internacional, à aquisição, armazenamento e toda a logística que envolve o medicamento e material médico-hospitalar para a utilização dos procedimentos, tem também como atribuição uma proposta moderna que é a farmácia clínica, que consiste em ir além dessas etapas do ciclo do medicamento”, diz.
Dentro desse contexto, Cléia explica que o profissional tem a responsabilidade do uso racional do medicamento na unidade hospitalar. “E quando a gente fala em uso racional do medicamento, nós estamos falando na maior segurança do paciente para o uso e maior segurança na prescrição do medicamento, reduzindo riscos que possam acontecer”. Os riscos, pontua, são previsíveis ou não previsíveis, que podem vir com o uso do medicamento no hospital. “Temos visto recentemente na mídia várias ocorrências, até mesmo fatais, do uso incorreto de medicamento. O farmacêutico entra como uma barreira para garantir que o medicamento seja utilizado de forma correta, segura e racional”, ressalta.
Outro ponto destacado pela farmacêutica é o desafio de manter o equilíbrio entre custo e qualidade do medicamento, o que, conforme a profissional, o HCMR consegue fazer, com um elenco de medicamentos selecionados, de alto rigor ao nível de prescrição médica, com acompanhamento científico e técnico do farmacêutico em toda a cadeia do uso da medicação. “Lembrando que toda essa metodologia é compartilhada com os nossos acadêmicos, os futuros farmacêuticos ainda em fase de formação, e com toda a equipe de farmacêuticos do Hospital”.