Até pouco tempo apontada como inimiga da concentração, a internet tem caído cada vez mais no gosto dos estudantes como ferramenta aliada à educação. Pelo computador ou celular, os alunos assistem aos canais de conteúdo educacional no YouTube para dar aquele empurrão no aprendizado das lições mais difíceis. Gratuitos, exibidos de forma interativa e muitas vezes apresentados por professores, os vídeos ajudam na preparação para processos seletivos e até provas de universidades.

Para não se perder na rede em meio a tantas possibilidades, porém, é necessária uma boa dose de orientação. Conforme especialistas, é recomendável a troca de ideias com profissionais e colegas sobre as melhores opções. O ideal é intercalar o estudo tradicional com alternativas do universo digital.

Preparando-se para prestar o Enem em novembro, o estudante Bruno Augusto Sales é um dos adeptos da aula pelo celular e pelo computador de casa e do colégio. Ele assiste a conteúdos para ajudar a entender matérias como geografia e história. “Além do YouTube, tem um site que é o meu preferido, o Khan Academy, que vem em forma de desenho e me ajuda muito a entender conteúdos”, diz.

Há também quem use os vídeos como um “algo a mais” para vencer as disciplinas. No Colégio Indyu por exemplo, há aulas diferenciadas com abordagens modernas com gamificação, empreendedorismo, inteligência emocional, informática, artes marciais, laboratórios práticos, internet aberta, sala Google, cursos extras de edição de vídeo e até mesmo de youtuber para que eles possam criar suas próprias explicações de conteúdo para os colegas.
 
VALIDAÇÃO
O professor Willian Borges, da disciplina Inteligência Emocional e Informática do Indyu, afirma que as videoaulas são de grande importância para os alunos. “Tem muito material de qualidade na internet, como também muita fake news. É importante a contribuição das videoaulas: exemplos, ilustrações animadas que são publicadas no YouTube. Porém, é preciso ter censo crítico para separar as bobagens e ‘pegadinhas’ do conteúdo realmente coerente”, alertou.

“Existem várias formas de ensinar, seja utilizando o humor, paródias, músicas e até mesmo de explicações diferenciadas, com STOPMotion e aulas expositivas. É sempre importante validar o conteúdo do vídeo para não estudar errado”, ressaltou Willian.
 
ALIADOS
A diretora do Indyu, Gabriele Mourão, afirma que neste ano o colégio optou por trabalhar a internet e o celular como aliados na escola. “A internet é aberta a todos os alunos durante todo o dia e até mesmo em horário de aula. O desafio a ser vencido agora é utilizar essa ferramenta para atividades em sala, colocando o aluno como protagonista do conhecimento e o professor como guia nessa busca”, disse.

Doutora em educação pela UFMG, a professora Inês de Castro Teixeira acredita que a integração entre livros e web é benéfica e deve ser incentivada pelos docentes. “A internet é uma realidade não só da universidade, mas também da adolescência. E ensinar a autonomia do estudo, a forma de se informar pelas redes, é educar para a vida no século 21”, disse.