Liberado o retorno da educação infantil às salas de aula em Belo Horizonte a partir da próxima segunda-feira, professores da rede municipal de ensino em Montes Claros temem que o mesmo aconteça e apontam falta de estrutura para receber alunos e docentes, o que poderia aumentar o número de casos de Covid no município.

“Não me sinto confortável com a situação, que ainda é assustadora. Estamos fazendo de tudo para dar conta das aulas remotas”, pontuou D. S., professora efetiva da rede. “Sei que muitas crianças sentem falta e nós também, mas não é o momento e infelizmente acho que as mortes vão se multiplicar. Mesmo que seja difícil trabalhar em casa, até pela falta de suporte do município, é o mais indicado”, pondera. 

A vereadora Iara Pimentel (PT) protocolou documento pedindo ao Executivo Municipal para implantar o pagamento de um auxílio aos professores ainda não contratados e por isso impedidos de receber ajuda federal devido ao fato de terem trabalhado em 2020. Para a vereadora, a contratação dos professores é essencial e, com a vacinação em ritmo lento, o risco é potencial especialmente para servidores com comorbidades.

“Não é hora de romantizar, não é hora de flexibilizar, não é hora de pensar em pedaços de asfalto. Não somos contra o direito de trabalhar, mas somos pela vida. Um município onde sobra R$ 1 bilhão em tempos de pandemia, com gente desempregada e morrendo de fome. Não aceito essa dicotomia de ‘ou morre de fome ou de covid’. É obrigação do poder público resolver essa situação”, disse a vereadora e professora“.

“Dos mais de 2 mil profissionais, só contrataram até agora 705 pessoas, ou seja, um terço dos servidores. Eles estão desempregados, desesperados para voltar a trabalhar, mas sem a vacina vão colocar em risco as pessoas que têm comorbidades”, reforçou a parlamentar, chamando atenção para a demora no processo de imunização e a dificuldade de acesso às informações em âmbito municipal.

“Temos solicitado através de requerimento e audiência pública a lista de vacinados. Recebemos constantemente denúncias de fura-fila. É importante que o município apresente essa lista”. 

O Sindicato dos professores (Sind-educamoc) não considera a possibilidade de retorno e destaca que mesmo que acontecesse a vacinação em massa da categoria imediatamente, o município não estaria preparado. 

“Não houve reforma das escolas. Não houve melhoria ou adequação para receber os alunos. Ainda que a categoria seja vacinada, faltam coisas essenciais. Banheiros estão quebrados, sem torneira, enfim, tudo teria que ser adaptado. Não é possível fazer isso do dia para a noite. Os alunos sequer receberam o material impresso das aulas de abril. Falta comprometimento da secretaria”, alertou Juliana Miranda, presidente do Sindicato.
 
RETORNOS
O NORTE não conseguiu falar com a Secretária Municipal de Educação, Rejane Veloso. Ela não atendeu ligações até o fechamento desta edição. 

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou em nota que “a rede pública estadual de ensino segue desenvolvendo as atividades escolares de forma remota, por meio do Regime Especial de Atividades não Presenciais (REANP). Sobre o modelo de ensino híbrido a ser desenvolvido a partir dos critérios dos novos protocolos sanitários, ressalta que só será implementado nas escolas estaduais quando houver a autorização judicial para retorno e apenas nos municípios localizados nas ondas amarela e verde do Plano Minas Consciente, conforme Deliberação n° 129 do Comitê Extraordinário Covid-19. Ainda assim, as prefeituras têm autonomia para decidir sobre a autorização para a reabertura das unidades. Todas as escolas estaduais estão se preparando observando o checklist de aplicação do protocolo sanitário para o desenvolvimento do ensino híbrido, com retorno seguro, gradual e facultativo”.

O Procurador Municipal Otávio Rocha não atendeu às ligações para falar sobre a implantação de auxílio aos professores proposto pela vereadora.