Professores da rede estadual de ensino decidiram, nesta quarta-feira (7), entrar em greve sanitária no período de 12 a 17 de julho. A decisão foi tomada em assembleia como resposta à determinação do Estado para o retorno presencial, desde 5 de julho (para professores) e 12 de julho (para alunos), em cidades que estão na “Onda Vermelha” do plano Minas Consciente.

Apesar da paralisação, os profissionais continuarão disponíveis para a prestação do trabalho remoto. Após 17 de julho, começa o recesso escolar, o que automaticamente já exclui as atividades presenciais nas escolas. 

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) alega que não há condições de segurança à saúde nos espaços escolares em virtude da pandemia do novo coronavírus para que as atividades presenciais sejam retomadas. “O objetivo é salvaguardar vidas”, diz uma nota do Conselho Geral do Sind-UTE.

“Os professores só tomaram a primeira dose da vacina. O cenário ainda não é favorável para que haja este retorno, principalmente porque as escolas não estão preparadas fisicamente para isso. Temos um grande número de professores que estão morrendo por conta da Covid. O governo poderia sim postergar este retorno para o ano que vem, tendo em vista que alunos na faixa dos 16 e 17 anos ainda não se vacinaram. Sou totalmente a favor da greve sanitária”, afirma Nalbar Rocha, professora e diretora regional do sindicato.
 
DILEMA
A preocupação se estende também aos pais de alunos, como T.S., mãe de cinco filhos, todos eles matriculados em escolas do Estado. Dois deles estão incluídos no retorno da próxima semana e ela deverá ir até a escola assinar a autorização, porém, revela sua dúvida sobre qual decisão tomar.

“Estou em uma situação difícil. Não tenho celular disponível para todos eles, nem sempre tenho internet em casa e muita coisa eles não conseguem acompanhar. Mesmo com o material impresso, existe a dificuldade porque nem sempre eu consigo ajudar. Às vezes, não sei responder ao que eles precisam”, diz a mãe, reiterando que sofre pressão dos próprios professores.

“Eles dão prazo para as tarefas e ameaçam chamar o Conselho Tutelar caso a resposta não chegue dentro deste prazo. É muita pressão para todos nós. Não é porque não queremos, não é nossa culpa. Realmente não sabemos como resolver, mas eu ainda não gostaria que eles fossem para a escola. Tenho medo dessa doença que está assustando todo mundo”, lamenta.

 

SAIBA MAIS
Secretaria garante que volta foi planejada com todo cuidado

A Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) informou, por meio de nota, que vai acompanhar a adesão ao movimento nas escolas estaduais, mas reitera que o processo de retomada das atividades presenciais segue planejado com todo cuidado e segurança, com ações de acolhimento dos profissionais nas unidades escolares nesta semana e preparação para o retorno dos estudantes no próximo dia 12.

“Reforçamos ainda que a retomada das atividades presenciais na rede estadual está acontecendo de maneira segura, híbrida, gradual e facultativa, seguindo rigorosamente todos os protocolos sanitários da SES-MG, desenvolvido em conjunto por um grupo de trabalho formado por especialistas nas áreas de saúde e educação, e balizado por critérios técnicos que orientam as deliberações do Comitê Extraordinário Covid-19. Todas as escolas realizaram um checklist criterioso para aplicação das adequações necessárias no ambiente, com regras de distanciamento e disponibilização dos equipamentos de proteção e produtos de higiene e limpeza. A retomada também inclui monitoramento de casos suspeitos da doença, com a possibilidade de afastamento progressivo de alunos, turmas e até o fechamento de escolas, em caso de necessidade”, diz a nota.