Elton Júnior de Almeida *



Cúpula da Terra, Agenda 21, Declaração do Rio, Protocolo de Kyoto, desenvolvimento sustentável, fontes de energia renováveis, biotecnologia, transgênicos, aquecimento global e El Niño, para não irmos longe demais. Já notou que entre os termos mais comumente aprendidos, utilizados e discutidos quando chegam à mídia, figuram os acima? E, já parou para pensar no que eles têm em comum e por que fazem tanto sucesso? A resposta é simples: por trás deles existe um substantivo composto que mexe com todo o mundo. Líderes políticos anseiam ser vistos como seus protetores. Vale votos. Grandes industriais não se comovem tanto e, na verdade, nem se locomovem também, a não ser, é claro, no caso das inquietações causadas pelas longas noites passadas em claro, quando pensam na repercussão de vazamentos como os da Exxon Valdez, das manchas de óleo no mar, etc. Há ainda outros que, para fazer valer o ditado, reclamam do tempo, mas não fazem nada a não ser prenunciar catástrofes caso nada seja feito.



É claro que você já sabe quem é o personagem principal de nossa história: o meio ambiente. Aquele do ar que respiramos, dos alimentos que comemos e da água que bebemos, ou porque não dizer: do ar que poluímos, do alimento que envenenamos e da água que exaurimos? De toda forma, vale lembrar que não deixa de ser algo muito positivo o fato de hoje sabermos muito mais sobre o meio ambiente do que sabíamos há 100 anos. Pena que os abusos praticados contra ele tenham crescido num ritmo ainda mais acelerado, enquanto os 'médicos' de um planeta já agonizante reclamam tempo para fazer mais estudos. Entre uma receita e outra, a convergência de opiniões. Quando se tem que optar pelos lucros ou pela preservação, você sabe quem acabará falando mais alto e, às vezes no mesmo tom seco usado por um representante dos EUA na Eco-92: "O estilo de vida americano não é negociável." Do outro lado, nações em desenvolvimento contra quem se tenta lançar a maior parte da responsabilidade, queixam-se de tentativas de se cercear a sua soberania. Acordos difíceis. Enquanto isto, continuamos em curso de colisão com a natureza. E o grande problema é que nesta batalha não há vencedor. Quando se pensa em conseqüências, extinção de espécies é a palavra-chave. E muitas delas, que talvez só tenhamos visto pela tv, estavam entre as mais prolíficas. Um legado amargo, é verdade. Mas, ainda mais triste é ter que reconhecer que mesmo na maior floresta tropical úmida da Terra, a amazônica, o futuro, com base no que o homem tem feito, não apresenta perspectivas nada promissoras. Que falta ao homem a capacidade plena de gerir a natureza, não tenho dúvidas. Por isso, não veja neste texto nenhuma apelação para uma ação internacionalista de união de esforços, como se estivesse aí a panacéia para os males da humanidade. Estou apenas procurando refletir sobre a verdadeira condição e os verdadeiros motivos por trás da destruição pelo homem do seu próprio habitat. A verdade dita de modo simples é que algumas medidas poderiam sim, ser tomadas pelo homem para se minimizar o problema ou, pelo menos, para não se agravar tanto a situação. Contudo, tais medidas são esquecidas nos baús onde foram depositadas e, muitas vezes são apenas ensaiadas para valer como um recurso retardador e movido por interesses, para permitir a continuidade da 'normalidade' e, é claro, dos lucros de destruidores ambiciosos.



Imagine, por exemplo, os resultados que se poderiam alcançar apenas por se deixar a natureza repousar. Uma espécie de versão ecológica do "Laissez-faire, laissez passer, le monde va de lui même" (deixai fazer, deixai passar, que o mundo anda por si mesmo), do capitalismo clássico de Adam Smith. Basta pensar no que aconteceu com a ilha de Krakatoa, na Indonésia, em 1883, que totalmente destruída por uma erupção vulcânica, restaurou-se sozinha com o passar dos anos. É verdade que existem até instituições que cumprem um papel muito louvável na preservação do meio ambiente, a exemplo da OVIVE (Organização Vida Verde), que já plantou mais de 3500 árvores, aqui mesmo na região de Montes Claros. Contudo, na foto que bondosamente nos cederam, olho para aquele garoto numa área de queimada, e me parece inevitável não imaginar a pergunta que poderia estar se passando pela mente dele: até quando destruirá o homem?



* Palestrante, poeta e escritor