Eles estão em plena adolescência, mas já levaram o nome de Montes Claros a ser reconhecido nacionalmente. Alunos do Colégio Indyu, Lavínia Freitas Borges e Wander Emanuel de Souza Mendes, do sétimo ano, conquistaram medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Ciências 2021, certificada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. 

Willian Borges e Gabriele Mourão, respectivamente diretores de tecnologia e administrativo do colégio, comemoram duplamente o resultado. Além de gestores da instituição de ensino, que integra a Rede Soebras de Educação, são pais de Lavínia, uma das medalhistas. 

“Não esperávamos algum prêmio. Divulgamos as olimpíadas com os professores, em sala de aula, e sempre motivamos nossos alunos independentemente de resultado. Em relação à Lavínia, acreditamos no potencial dela, que por si só é muito interessada nos estudos”, diz Gabriele.

“Não estava esperando ser classificada, mas me empenhei bastante. Para mim foi como uma prova normal. Já participei da Olimpíada de Química e da Olimpíada Jovens Gênios. Gosto muito dessa matéria, porém, me identifico também com a área de matemática e português”, explica a estudante, ressaltando que ser filha dos diretores não significa nenhuma pressão, mas um incentivo. “Eles não cobram muito de mim, mas eu sou motivada a ser uma boa aluna”.

Willian destaca que os alunos têm diferentes habilidades e que a escola estimula os alunos que querem testá-las. Para o diretor, o conhecimento tem que brotar de dentro para fora e é responsabilidade da instituição de ensino fomentar o conhecimento pelo prazer de aprender. Nesta seara, as olimpíadas permitem tal situação e a imposição cede lugar ao estímulo. 

“Temos alunos de diferentes grupos de conhecimento, que gostam de matérias diferentes e a escola vem oportunizar aqueles que querem testar seu conhecimento. A gente mostra que mesmo morando em uma cidade que não é gigante, eles podem ser destaque e competir de igual para igual com o restante do país. Muitos arriscam e acreditam neste poder de colocar em prática o que aprenderam no colégio. Os professores, mais do que meritocraticamente, bonificam estes alunos que participam e logram êxito. Eles gostam porque é um desafio. Não é nada punitivo. Eles assumiram o compromisso de participar sem nenhuma imposição, pelo simples propósito de se testar”, diz.

O aluno Wander Mendes afirma que não imaginava chegar tão longe. “Estudei muito, mas medalha de ouro eu não esperava. É uma competição nacional muito concorrida e eu me esforcei bastante. Contei com o apoio da escola e da minha mãe. Ciência é uma matéria de que gosto muito. Fiquei feliz e estou motivado a me dedicar ainda mais aos estudos”, diz.

A mãe dele, Jusçara Mendes, destacou que a medalha foi uma recompensa, mas o caminho para este resultado foi o mais surpreendente.

“Ele me avisou depois que já havia feito a inscrição. Teve iniciativa e autonomia em relação aos estudos. Essa parte significa muito para mim. O Indyu sempre superou minhas expectativas. Temos suporte, assistência e tem colaborado muito com os alunos. Especialmente para mim, que sou mãe solo e tenho que educar, o colégio traz esse suporte e parceria com os pais”, diz a mãe de Wander.
 
Trajetória
Raquel Muniz, fundadora da instituição ao lado de Ruy Muniz e primeira diretora do educandário, comemora mais um reconhecimento e destaca que o método utilizado, que promove aproximação entre professores e alunos, só traz benefícios para ambos. Para ela, a convivência entre pessoas de diferentes origens e condições é um fator que se traduz em resultado.

“Aquele que tem condição de pagar vê o esforço que o outro faz. Essa convivência heterogênea ajuda muito a quem tem valorizar o que tem e a quem não tem, conquistar. É uma experiência muito bacana essa oportunidade de pessoas diferentes conviverem”, ressalta, acrescentando que como primeira diretora da escola, investiu no modelo a ser seguido pelas demais. 

“Fizemos do Indyu um grande modelo de educação. Sempre utilizamos o melhor material didático e uma educação bem individualizada. Premiamos também quem entra na escola, o aluno que vem de escola pública e se destaca tem bolsas integrais e/ou parciais. Há momentos de muita alegria e convivência participativa, com um calendário escolar extremamente comemorado. Desse modo os alunos têm a oportunidade de se desinibir, mostrar talentos e criatividade”, diz. 

O acolhimento é outro diferencial. “Na pandemia, supervisores foram até as casas dos alunos para saber do aprendizado, como eles estavam sendo auxiliados em casa”, afirma Raquel.

“Resultados como esse aquecem e alegram nosso coração de professor e reforçam nossa convicção de que a educação vale a pena. O professor se realiza com o crescimento do seu educando. Se ele está feliz, sinto-me também campeão. É a nossa medalha”. Cristiano Nogueira, professor de Ciências e Biologia do Colégio Indyu