Economia

Sobe e desce da inflação embola a vida do consumidor

Variação do IPC em MOC tem elevação em outubro; itens impactados pelo dólar sofrem

Larissa Durães
Publicado em 10/11/2022 às 23:26.
Os preços dos gêneros básicos registraram, em outubro, variação positiva de 4,47% contra -2,27% em setembro (Larissa Durães)

Os preços dos gêneros básicos registraram, em outubro, variação positiva de 4,47% contra -2,27% em setembro (Larissa Durães)

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Montes Claros, após apresentar ligeiras quedas nos dois meses anteriores, volta agora em outubro a ter um patamar mais elevado registrando uma inflação de 0,41% no mês de outubro de 2022, contra os 0,14% registrados em setembro acumulando nos últimos nove meses 8,69% de inflação na cidade. 

O IPC tem como objetivo medir as alterações no custo de vida dos consumidores, ou seja, o valor que estes têm de gastar ao longo do tempo para manter um determinado nível de vida.

As variações do IPCA têm impacto direto no bolso da população. Quando o índice está alto, significa que o dinheiro perdeu o valor. Ou seja, o preço das coisas está aumentando, mas o salário segue o mesmo. Com isso, o brasileiro não consegue comprar os mesmos itens do mês anterior pelo mesmo preço.

Pesquisa realizada pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) mostra que na última semana do mês na cidade houve aumento do preço dos combustíveis, gasolina (2,27%) e etanol (2,60%), fazendo com que o grupo transporte que estava em queda voltasse a ter uma variação representativa para IPC de 0,27%. 

O que deixa a economista Vânia Vilas Bôas preocupada, pois essa questão dos combustíveis em se manter neste patamar de preços ou subindo, além da baixa queda do diesel (-1,75%) apontada pela pesquisa, pode ser sentido nos custos logísticos. 

Provocando já entendimento dos montes-clarenses que o aumento da gasolina e do dólar, afeta o custo de vida na cidade, deixando tudo mais caro.  

Como é o caso do assistente de vendas de decoração, Luiz Gustavo Ferreira Rocha. “Tudo bem caro, alimentação, aluguel... A gasolina até que abaixou, mas já aumentou de novo e acho que vai aumentar mais e tudo vai ficar mais caro ainda”, prevê. 

No trabalho, Gustavo conta que perdeu 50% dos clientes, desde o início da pandemia. “Com o dólar alto onerou um pouco os produtos que vendo, porque a maioria são importados. Parece que as pessoas estão segurando o dinheiro com medo e incertezas”.

A pesquisa da Unimontes, apontou também outros produtos que apresentaram variação positiva, como o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,92%), onde a medicação teve um preço mais elevado assim como os produtos de higiene pessoal. "São itens que dependem na sua composição de produtos importados sofrendo aí os impactos da variação do dólar”, explica Vânia. 

Ano novo, preços novos

Já o grupo de maior contribuição continua sendo o de alimentação (0,20%), com impacto muito grande principalmente para as famílias de salários mais baixos.

A pesquisa mostra que os preços vão continuar em alta, mas com uma elevação inferior daquela aceleração que aconteceu no primeiro semestre. 

“Acreditamos que agora no início do ano tenhamos aí já no início das colheitas de safras, e se mantivermos o que chamamos de descompensações climáticas onde algumas regiões produtoras têm excesso de chuva ou de seca, a gente possa a vir a ter preços melhores no primeiro semestre de 2023”, esclarece a economista.
 
CESTA BÁSICA 
Os preços dos gêneros básicos registraram, em outubro, variação positiva de 4,47% contra -2,27% em setembro último. No ano de 2022, a cesta acumula alta de 12,89%.

Consequentemente, para o trabalhador local, com renda bruta de R$ 1.212,00, foi necessário utilizar, em outubro, 41,73% do salário para comprar os 13 produtos que compõem a cesta básica e suas respectivas quantidades.  Essa cesta custou ao trabalhador R$ 505,71 em oposição a R$ 484,05 do mês anterior. Após a compra da cesta básica, restaram ao trabalhador R$ 706,29 para as demais despesas.

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