economia

Montes Claros: cesta básica absorve 38% do salário em janeiro

Inflação chega a 0,61% na cidade com alta em educação e alimentação, aponta IPC

Larissa Durães
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 11/02/2025 às 19:00.
Economista Vânia Vilas Bôas alerta sobre inflação de 0,61% em janeiro e possível continuidade devido à alta nos alimentos (LARISSA DURÃES)
Economista Vânia Vilas Bôas alerta sobre inflação de 0,61% em janeiro e possível continuidade devido à alta nos alimentos (LARISSA DURÃES)

A inflação em Montes Claros acelerou no início de 2025, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrando alta de 0,61% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia da Unimontes. O resultado consolida uma tendência de crescimento, superando o patamar de dezembro de 2024 (0,54%).

Segundo a economista Vânia Vilas Bôas, coordenadora do IPC, o início do ano já apresenta inflação elevada, tendência que pode se manter nos próximos meses devido à alta nos preços de alimentos. “Janeiro historicamente apresenta uma inflação maior, não apenas pelos preços dos alimentos, que costumam pressionar o índice, mas também pelo impacto de despesas sazonais, como matrículas escolares e serviços pessoais”, explica a economista. Mesmo com o adiamento do pagamento de impostos como IPTU e IPVA para fevereiro, a alta nos custos com educação e despesas pessoais impulsionou o resultado do mês.

Dentre os sete grupos analisados pelo IPC, o setor de Educação e Despesas Pessoais teve o maior impacto, contribuindo com 0,56% do índice total. A alimentação, que vinha sendo a principal responsável pela inflação nos últimos meses, ficou em 0,33%. “Os serviços educacionais tiveram reajustes superiores à inflação anual, que foi de 4,5%, com aumentos expressivos nas mensalidades escolares, cursos profissionalizantes e material didático”, detalha Vânia.

Além disso, o aumento do salário mínimo, que subiu 7,5% em janeiro, influenciou a elevação dos preços de serviços como estética e entretenimento. No setor alimentício, o café continua em alta, registrando variação de 7,45% no mês. Hortifrutigranjeiros também sofreram aumentos devido às chuvas intensas nas regiões produtoras. Por outro lado, o óleo de soja começou a apresentar queda, impulsionado por promoções no varejo.

Mesmo com o reajuste do salário mínimo, o comprometimento da renda do trabalhador com a cesta básica continua elevado. “Em janeiro, foi necessário gastar quase 38% do salário mínimo apenas para adquirir os 13 itens básicos. O salário deveria ser suficiente para cobrir todas as necessidades do trabalhador e sua família, mas, com os aumentos, fica evidente que ele não acompanha o custo de vida, comprometendo despesas essenciais como moradia, transporte e saúde”, finaliza Vilas Bôas.

A situação tem afetado diretamente o orçamento das famílias. O policial Leonel Antunes relata que os aumentos mais significativos foram na carne, verduras e café. “O reajuste foi insignificante, bem baixo, por isso temos que adaptar os hábitos de consumo”, afirma. Para ele, a alta nos preços tem múltiplas causas, mas a principal estaria no fator político. “Acredito que seja mais o poder político, querendo arrecadar mais para suprir alguma necessidade”.

A operadora de caixa Jéssica Poliana Soares também sente os impactos no dia a dia. “Praticamente todos os itens subiram, não vi nada mais barato”, comenta. Com dois filhos em idade escolar, ela precisou recorrer à reutilização de materiais do ano passado. “Tive que pedir para eles utilizarem cadernos e lápis do ano passado, porque os preços subiram demais”.

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