economia

Estudo revela queda no consumo de frutas e verduras

A redução é atribuída à crise econômica e ao enfraquecimento de políticas sociais

Larissa Durães
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 07/02/2025 às 19:00.
A comerciante Keula Alves Braga defende que, apesar do custo elevado, a mudança para alimentos naturais vale a pena, pois previne consultas médicas e problemas de saúde futuros (LARISSA DURÃES)
A comerciante Keula Alves Braga defende que, apesar do custo elevado, a mudança para alimentos naturais vale a pena, pois previne consultas médicas e problemas de saúde futuros (LARISSA DURÃES)

O consumo de frutas e hortaliças no Brasil caiu entre 2015 e 2023, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), devido a fatores econômicos e políticos, como a crise financeira e o enfraquecimento de políticas públicas.

A queda foi mais acentuada entre homens de 25 a 34 anos e indivíduos com maior escolaridade, enquanto mulheres e idosos mantiveram um consumo mais estável. Para reverter essa tendência, o estudo sugere o fortalecimento de políticas públicas e incentivos à produção, além de medidas para restringir o acesso a ultra processados. A isenção fiscal da cesta básica e a taxação de bebidas açucaradas, previstas na reforma tributária, são vistas como avanços nesse sentido.

Para a nutricionista Virgínia Maria Damásio Soares, o problema vai além da questão econômica e envolve hábitos culturais. “O brasileiro não tem o costume de consumir legumes e frutas regularmente. Na infância, até há um consumo maior, mas, na vida adulta, a correria do dia a dia leva as pessoas a optarem pelo que é mais prático”, afirma. Segundo ela, a facilidade dos alimentos industrializados agrava o quadro. “O que é mais fácil? Abrir um pacote de bolacha ou preparar uma refeição completa? Com o impacto econômico dos últimos anos, que elevou o preço dos alimentos naturais, essa escolha se torna ainda mais frequente”, comenta.

O consumo excessivo de ultra processados pode resultar no aumento de doenças crônicas, como diabete e hipertensão. “É um problema de saúde pública sim. Muitas pessoas deixam de investir um pouco mais em uma alimentação saudável e, no futuro, gastam muito mais com tratamento de doenças. É uma roleta-russa”, alerta a nutricionista.

Virgínia defende que políticas de educação alimentar sejam fortalecidas. “A atenção primária deveria trabalhar mais essa questão. Hoje, só vejo os pacientes quando já estão em estado grave, como diabéticos que não tiveram orientação e chegam amputados. Campanhas e programas de incentivo à alimentação saudável são essenciais”, diz.

A inclusão de alimentos naturais na cesta básica e o fortalecimento da agricultura familiar também podem ajudar. “A cesta básica está mais completa com menos ultra processados. As merendas escolares também avançaram nesse sentido, com refeições mais nutritivas. Isso tudo ajuda na educação alimentar”, destaca Virgínia.

A comerciante Keula Alves Braga compartilha sua experiência e reforça a importância de escolhas saudáveis. “Me alimentava muito mal, mas, após problemas de saúde, precisei mudar meus hábitos e percebi o impacto positivo na minha vida”, relata. Apesar do custo mais alto de alimentos naturais, ela acredita que a mudança vale a pena. “No fim, compensa, porque evitamos médicos e problemas futuros”, afirma.

Já o agricultor familiar Graziano Leal Fonseca, de Montes Claros, diz que, ao contrário da tendência nacional, não percebeu queda na demanda por frutas e hortaliças. “A procura continua alta, e minha única limitação para aumentar a produção é a falta de mão de obra no campo. Ninguém mais quer trabalhar na roça”, lamenta.

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