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Sexta-Feira,29 de Agosto
economia

Consumo aumenta 4%

Mercado de trabalho é apontado como fator para melhora do consumo

Larissa Durães
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 28/08/2025 às 00:00.

O consumo das famílias brasileiras em supermercados cresceu 4% em julho na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado nesta quinta-feira (21). Em relação a junho, a alta foi de 2,4%. No acumulado de 2025 até julho, o avanço chega a 2,6%.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, afirmou que “a alta no consumo em julho foi impulsionada pela melhora da renda e pela recuperação do mercado de trabalho, com menor impacto da retração típica das férias escolares.”

A taxa de desemprego caiu para 5,8% no trimestre encerrado em junho, o menor nível desde 2012, contra 6,9% no mesmo período do ano passado. Esse cenário contribuiu para sustentar o aumento do consumo, mesmo com a redução no número de beneficiários do Bolsa Família. Em julho, quase 1 milhão de famílias deixaram de receber o benefício devido ao aumento da renda.

A pesquisa também aponta queda de 0,44% no preço médio da cesta de 12 produtos básicos em julho. O valor passou de R$ 353,42 em junho para R$ 351,88. Itens como arroz, feijão, café e queijo muçarela registraram as maiores retrações, enquanto apenas açúcar refinado e óleo de soja apresentaram alta no mês.

Para a economista e coordenadora do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Unimontes, Vânia Vilas Bôas, alguns fatores explicam esse desempenho positivo em um período tradicionalmente de retração. “Se a gente pegar a inflação acumulada nesse período no ano passado, ela foi de 4%. Este ano, de janeiro a julho, registramos 2,66%, ou seja, tivemos uma inflação menor. Isso se refletiu, por exemplo, na queda do valor da cesta básica, que recuou 1,64% em junho e 5,21% em julho. Produtos como carne bovina, café, açúcar, leite, arroz e feijão tiveram retração nos preços, o que favoreceu o aumento no consumo”, explicou.

Segundo a economista, a oferta de alimentos in natura também contribuiu para a redução de preços. “A queda nos preços de alimentos in natura, como tomate e batata, estimulou o aumento do consumo.”

Preços altos 
O agente de trânsito Aldemir Reis Araújo afirma que os preços nos supermercados continuam elevados, sem grandes variações em julho. “Eu comprei poucas mercadorias hoje, e acho que está mais ou menos o mesmo preço. Ou seja, estava alto, continua alto. Não abaixou, mas também não aumentou”, disse.

Segundo ele, a carne é o item que mais pesa no orçamento familiar. “Os demais itens estão mais ou menos com preços suportáveis, mas a carne, principalmente, é o que mais pesa.”

Aldemir avalia que a melhora no mercado de trabalho em Montes Claros trouxe mais confiança ao consumidor. “Se aumenta a oferta de emprego, as pessoas estão trabalhando, tendo renda, certamente o consumo aumenta. Pelo menos em questão de supermercado, eu acho que sim, que estão consumindo mais. Dá para perceber carrinhos mais cheios”, relatou.

Como Aldemir outros consumidores ainda percebem os preços altos, especialmente da carne. “Por mais que a inflação esteja caindo em relação ao ano passado, os preços não retornaram aos patamares anteriores à pandemia. Um exemplo é o café: em 2022, um pacote de 250 gramas custava R$ 5,75. Em 2024, chegou a R$ 17. Agora já está em torno de R$ 13,90 ou R$ 14, mas não voltou ao valor inicial. O mesmo ocorre com a carne bovina, que subiu muito e, embora esteja caindo, não retomou os preços anteriores”.

Ela ressalta ainda que a defasagem salarial pesa na percepção do consumidor. “Os salários não acompanharam esse movimento de preços, e por isso as famílias não sentem plenamente a queda da inflação. Há, sim, uma redução nos preços em comparação ao ano passado, mas o poder de compra ainda é limitado”, concluiu.
*Com informações da Agência Brasil

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