Desde que foi decretado o isolamento, a cantora Ângela Evans partiu de cara para as lives, uma forma de manter o contato com o público e também de se distrair, vez que, como diz o ditado, “quem canta, seus males espanta”. A cantora estabeleceu um calendário em que toda segunda feira se encontra com a galera, via Facebook e Instagram, onde se divertem cantando. Evans afirma que a “nova rotina” tem sido bastante satisfatória. 

“A gente canta, bate papo, ri bastante, as pessoas fazem pedido de música. Quando eu não tenho (a música pedida) no dia, faço meu dever de casa e na semana seguinte atendo o pedido. Tenho observado que isso vem causando engajamento”, conta. 

A artista reconhece que as lives são modestas, sem grandes produções, mas que estimulam o “fica em casa”. As transmissões são feitas do quarto dela, sempre às 19h. “Tenho gosto em me arrumar, maquiar, preparar repertório pra receber meus queridos. E a cada semana o repertório muda, então monotonia não está no nosso vocabulário (risos)”, diz Ângela, agradecendo a quem valoriza o encontro e contribui com o couvert solidário. 

Ângela divide o tempo entre a música, afazeres de casa, caminhadas, exercícios e cuidados com alimentação. “Vou fortalecendo a imunidade, que é o recomendado. A música cuida da saúde mental”. 
 
Você reside em Belo Horizonte há 26 anos. Mas tudo começou em Montes Claros. Como foi a infância no Norte de Minas?
Me lembro que aos 8 anos acompanhava uma irmã nos encontros escolares dela e o pessoal gostava de tocar violão e cantar. Também me lembro de que podia brincar subindo em árvore. Mas quando eles começavam, eu largava tudo e ia pro meio deles e começava a cantar também. Em casa, a família gostava de música e ouvia bastante Milton Nascimento, Toquinho e Vinícius e Clara Nunes. Ouvia muito rádio, porque era o que tinha. O primeiro cunhado tinha uma coleção de vinis maravilhosos: conheci Renascensse, Pink Floyd, Carpenters. O segundo cunhado já ia pro lado da música mineira, Paulinho Pedra Azul e Beto Guedes. Como eu gostava muito de música internacional, aos 12 anos entrei para o inglês e aí pude cantar direito as que amava: Heart, Janis e Michael Jackson.
 
Como foi celebrar 30 anos de profissão? 
Antes da pandemia estava me apresentando no Estação 2000, lendária casa LGBT de BH, onde estou, incrivelmente, desde 2001. Percorri todo o roteiro LGBT, em outros bares, paradas na capital e interior. Também me apresento em bares da capital e festas particulares. Retornei pouco a Montes Claros para dois shows: em 2001, no Centro Cultural Hermes de Paula, e em 2004, nas Festas de Agosto.
 
“Marítima” e “um pouco de morro, outro tanto cidade sim” tiveram muita repercussão. Fale um pouco mais sobre esses trabalhos autorais.
Em 2001 lancei o CD “Marítima”, com arranjos de Juarez Moreira, as faixas todas inéditas e compositores mineiros em sua maioria. Em 2006 saiu “Um pouco de morro, outro tanto cidade sim”, gravado no Rio, com arranjos do Maestro Cristovão Bastos, um disco dedicado ao samba, que caiu nas graças do poeta, compositor e agitador cultural Hermínio Bello de Carvalho, que intermediou a distribuição pela Biscoito Fino. Morei no Rio por 6 anos e fiz apresentações ao lado de Hermínio e Áurea Martins. Motivos pessoais me trouxeram de volta a BH e deixei de investir na carreira autoral da mesma forma que antes.
 
Quais as melhores lembranças de Montes Claros? 
As barraquinhas da igreja São Sebastião. Me divertia muito! Amava dançar forró e só rolava Gonza-gão. As amizades da adolescência, os primeiros trabalhos, a descoberta da música em época de escola. Quando liberavam a gente mais cedo, ficava cantando e Ricardo Vianna tocando violão na saída, (era colega da Escola Normal também). Se eu voltasse pra casa mãe me dava serviço (risos). E claro, sempre, minha mãe, que guardo comigo dentro de mim e minha família, que me faz retornar sempre.
 
Qual a maior diferença entre a Ângela Evans cantora no início da carreira e a de hoje?
A vivência, as experiências pelas quais passei. Como são muitos anos de exercício do canto, a voz é mais educada, mais firme. As aulas de Elis foram importantes, leveza quando tem de ser, quando a letra pede, o grito na hora que tem que gritar. O verdadeiro sentido de ser uma intérprete.
 
Quais os próximos planos? Algum projeto em vista?
Bem modestos. Confesso que após 2 CDs independentes resolvi cuidar de mim, continuar cantando, mas tem um povo que fica me cutucando sabe? Então, tem coisa boa pra acontecer. A convite do Danilo Rocha, produtor de Montes Claros, meu sobrinho, estamos idealizando uma super live, aí na terrinha natal. Olha eu voltando pro umbigo! E claro, participo do CD de Jorge Takahashi, onde canto uma parceria dele e Antônio Carlos. 
 
Onde encontrar:
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