Fundado pela professora Marina Helena Lorenzo Fernândez Silva, o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez (Celf), celebra seis décadas de existência. Diretora da instituição há dois anos, Sandra Soares dos Santos fala sobre o trabalho voltado para a formação de novos artistas e preservação da cultura. 

Sandra Soares é graduada em Educação Artística (Licenciatura Plena), com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), onde também fez pós-graduação em História da Arte, e bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte).
 
O que vocês prepararam para comemorar esses 60 anos?
Antes de começar a pandemia estávamos alinhando como faríamos as comemorações, definindo apresentações. Porém, não contávamos que ela se prolongasse tanto. Como não podemos realizar eventos abertos, decidimos que todas as apresentações deste ano seriam para comemorar os 60 anos, uma vez que no remoto fica muito mais difícil a organização e realização de qualquer evento. Em novembro, na semana da cultura, em que comemoramos o aniversário de Lorenzo Fernândez, vamos celebrar de fato. Infelizmente, não será como idealizamos, mas faremos como o momento nos permitir.
 
Nestes 60 anos, são já muitos os músicos formados na instituição. Muitos reconhecidos nacionalmente, não é? 
Sim, grandes nomes trazem no currículo o início no Conservatório. Para nós é motivo de muito orgulho. Temos em todas as áreas do conhecimento – música, teatro, artes visuais – representantes que se destacaram e ainda se destacam no cenário artístico regional, brasileiro e até internacional, e com isso, difundimos o nome de nossa escola e da nossa cidade a outros centros. Não vou citar nomes, pois corro o risco de esquecer alguém e ser injusta. 
 
O Conservatório busca atender todo tipo de aluno, dos mais leigos até os que já possuem conhecimento e querem aperfeiçoar a técnica. Atualmente são quantos alunos matriculados em quais cursos? Quantos professores? 
Possuímos alunos com os desejos e interesses mais variados. Uns vêm em busca de aperfeiçoar o que sabem, outros em aprender desde o início, o que importa é à vontade em aprender. Atendemos alunos dos seis anos em diante no conservatório em Montes Claros e no anexo na cidade em Bocaiúva, possuímos aproximadamente 4.500 alunos, 130 professores e 20 colaboradores. 
 
Qual a importância de uma formação musical iniciada mais cedo? 
É de grande importância, pois desenvolverá na criança várias habilidades que a auxiliarão na formação de sua personalidade. É um complemento à educação formal. Um indivíduo que tenha essas vivências artísticas, seja na linguagem musical, linguagem cênica e linguagem visual iniciada mais cedo, está comprovado, desenvolverá as várias inteligências, tais como, a emocional, a afetiva, o raciocínio lógico, contribuirá para ser uma pessoa mais autoconfiante, com maior facilidade de interação no meio em que vive.
 
Como está funcionando atualmente com a pandemia? 
Ainda estamos atendendo de forma online, pois temos especificidades que não nos permitem o atendimento presencial. Atendemos com aulas por meio dos PETs (Planos de Estudos tutorados) todos elaborados pelos nossos professores e videoconferências.
 
Quais os desafios da sua gestão? 
São muitos os desafios que perpassam uma gestão, seja ela qual for, a meu ver o mais desafiador para um gestor, é a gestão de pessoas, manter uma comunicação eficaz com a equipe e realização das metas que a nossa chapa propôs no plano de ação.  

Quais os desafios enfrentados durante a pandemia? 
Essa época de pandemia tem sido muito desafiadora para qualquer um, para o gestor principalmente, pois trouxe à tona inúmeras situações que até então não existiam no presencial e você tem de estar atento a todas elas para resolvê-las à medida que vão apresentando no dia a dia. A resolução de demandas em tempo hábil, manter a coesão, a união e a motivação da equipe.
 
Quais as principais conquistas, marcas nestes 60 anos? 
Ao falar em conquista não podemos esquecer de Dona Marina. Se existiram e ainda existem, foi graças a ela que deu início a isso tudo. A comemoração de 60 anos é uma delas: você criar uma escola de música em uma cidade aonde não havia perspectiva alguma, para mim isso é uma grande conquista. E essas conquistas vieram aos poucos, resultado do empenho das gestoras, colaboradores e apoiadores que me antecederam. Creio que cada uma em sua época te conquistas em vários âmbitos que fizeram o nosso conservatório se tornar o que é hoje. Posso citar algumas que para mim são importantes: a construção da sede nova; criação do anexo de Bocaiúva; aumento do número de cursos disponibilizados à comunidade; aquisição do piano de cauda e outros instrumentos, construção da sala de bateria e agora a reforma do tão sonhado bloco que está interditado desde 2014.
 
Quantos cursos atualmente? 
Ofertamos cursos na educação musical: musicalização – para crianças de 6 a 10 anos; curso de canto, instrumento (acordeon, bateria, cavaquinho, contrabaixo acústico, contrabaixo elétrico, clarinete, flauta doce, flauta transversa, guitarra, piano, saxofone, teclado, trompete, viola caipira, viola de orquestra, violão, violino, violoncelo e ukulelê). Há também opções na área técnica: canto, design de interiores e em instrumento (clarinete, flauta doce, flauta transversa, piano, saxofone, teclado, trompete, violão, violino, violoncelo).
 
Qual a importância do Celf para a cultura de Montes Claros e região? 
Além de ser um difusor da cultura montes-clarense e regional, o Conservatório é um descobridor e incentivador de talentos, pois sabemos que a região é um celeiro de arte e de cultura. E o Conservatório trabalha as potencialidades, transforma vidas, favorece processos criativos e inventivos através dessas artes, abre a mente e corações para o novo, explora o conhecido e permite outras descobertas e releituras do mundo em que vivemos. Na realidade esse é o verdadeiro papel de uma escola de arte, potencializar o que temos de melhor. 

"Você criar uma escola de música em uma cidade aonde não havia perspectiva alguma, para mim isso é uma grande conquista"
Sandra Soares dos Santos, diretora do celf