A cerveja está muito ligada a momentos de relaxamento, como o happy hour, no churrasco em casa com a família e os amigos. Também conquistou muitos territórios, como o das pizzas, hambúrgueres e culinária japonesa. No mercado, há uma infinidade de estilos, desde as mais leves às mais fortes. Tem de trigo, com característica defumada, pretas de origem inglesa, com sabor de notas de café e chocolate e até de pequi. Sim, do fruto típico do Cerrado mineiro! De sabor marcante, cheiro característico e cor intensa, que aguçam os sentidos.

A Pequi do Norte, da marca Wals, é a primeira de quatro cervejas que fazem parte de um projeto de valorização do interior de Minas da empresa, conta o cervejeiro Celio Gutstein. Foram utilizados maltes especiais como o de cevada, pale ale, malte de trigo claro e aveia em flocos.

“A ideia é usar insumos que representam os quatro cantos do nosso Estado, e transformar essas riquezas em cervejas únicas”, conta Celio. 

Além de propagar o sabor típico do Cerrado mineiro, a cerveja valoriza o produto regional e estimula a economia local, pois há uma parceria com os produtores da região.

A Pequi do Norte é produzida em parceria com pequenos produtores rurais de Japonvar e com a cervejaria Berzalai, de Montes Claros.

Segundo o cervejeiro do Ateliê Wals, o pequi foi escolhido por ser um fruto que carrega alta potência sensorial em seus aromas e sabores, além de ser típico e muito apreciado pelas pessoas da região.

“Nessa criação, o objetivo é equilibrar o amargor e aroma dos lúpulos, com as características peculiares do pequi”, revela Celio.

Os principais consumidores da Pequi do Norte são entusiastas de cerveja, conhecedores de pequi e, no geral, curiosos que querem provar essa nova experiência. “No entanto, de forma surpreendente, até as pessoas que não gostam do fruto em si apreciaram a criação”, diz o cervejeiro.

Com relação à venda e procura da Pequi do Norte, Celio diz que tem sido muito maior do que a produção. “O limitante neste momento é o fato de o pequi ser um fruto sazonal, portanto não é possível manter os volumes desejados durante todo o ano. É fantástico ver que as pessoas estão abertas a experiências novas, e isso dá espaço para um mercado cervejeiro cada dia mais criativo”, comemora. 
 
PESQUISA
Para a construção da receita, segundo Celio, foi feita uma pesquisa de campo. “Contamos com as explicações e os ensinamentos sobre as técnicas de produção, cultivo e colheita desse insumo pelos produtores de Japonvar. O Vitor Hugo, em especial, cervejeiro e proprietário da cervejaria Berzalai, proporcionou toda a aproximação e abertura desse universo”, conta. 

O processo produtivo e o envase são realizados na cervejaria Wals, em Belo Horizonte. A forma de execução dessa cerveja é similar às demais, porém conta com a adição do pequi no final da fervura. Após cerca de 25 dias, a partir do cozimento, ela passa pela fermentação, maturação, carbonatação e, então, está pronta para ser envasada e consumida.

“No momento, estamos focados em atender as demandas da Pequi do Norte e, posteriormente, vamos continuar com o projeto de valorização dos insumos do interior de Minas”, afirma Celio.

 

“Provei e gostei muito. Uma cerveja bastante refrescante. Tem um aroma muito agradável, marcante e o gosto sutil do fruto, forte. Sensação boa. Agrada tanto quem gosta da fruto do pequi e quem não gosta”. Edson Veloso Júnior, empresário