Quatro igrejas de Montes Claros foram o campo de pesquisa para um trabalho minucioso e histórico de Waldir Pereira da Silva sobre a mudança da música sacra na cidade. Por meio de muito estudo e observação, ele pontua as mudanças pelas quais essas igrejas passaram em relação ao século anterior, tanto na área musical e comportamental.

O estudo deu origem ao livro “Música Sacra Litúrgica: entre a tradição e a inovação”, que será lançado neste sábado (3), dia do aniversário de 164 anos de Montes Claros. “No livro pontuo que essas mudanças ocorreram desde o primeiro século do cristianismo, passando pela reforma protestante, o século XX e até nossos dias”, diz o montes-clarense.

O lançamento do livro será às 19h, de forma virtual pela plataforma StreamYard, transmitido por meio do canal do YouTube no endereço eletrônico https://youtu.be/qE8yAOGCvZM. No evento, o autor fará uma palestra sobre Música Sacra, com a execução vocal de algumas músicas pela soprano Aparecida Soares. Ao final da exposição será dada a oportunidade aos participantes de interagirem fazendo perguntas.

“O livro foi escrito objetivando alcançar pastores, padres, presbíteros, diáconos, instrumentistas, vocalistas, estudantes de música, membros de igrejas, aqueles que gostam de música sacra e os que se interessam pelo assunto”, diz o autor.
 
TRAJETÓRIA
A música sacra está na vida de Waldir desde a infância, quando cantava nas classes da Escola Bíblica Dominical da Segunda Igreja Batista de Montes Claros. Como pré-adolescente, ganhou do saudoso pai um acordeão e começou a estudar o instrumento com uma professora da família Vilas Boas, em Montes Claros.

“A partir de minha juventude, passei a atuar em igrejas evangélicas tocando, cantando e regendo corais. Assim, desde criança, a música ‘entrou’ em minha vida e até o momento permanece”.

Waldir estudou vários instrumentos, dentre eles, piano, teclado, violão, flauta doce e canto, área em que se especializou, atuou e ainda atua profissionalmente. Atualmente reside na cidade de Arraias (TO), mas está constantemente em Montes Claros, principalmente neste momento de pandemia e de trabalho remoto.

“Sou montes-clarense nato e de coração, mas o Estado do Tocantins e a Universidade Federal do Tocantins me receberam de braços abertos”, conta Waldir.

Esse é o primeiro livro publicado pelo autor, mas ele já tem vários capítulos de livros publicados, artigos em revistas qualis e trabalhos publicados em anais de eventos nacionais e internacionais.

“Atualmente ministro várias disciplinas na área de música e também sou fundador e regente do coral universitário”, conta Waldir.

O livro “Música Sacra Litúrgica: entre a tradição e a inovação”, publicado pela Editora Appris nos formatos impresso e e-book, está cadastrado em 42 livrarias e lojas brasileiras e poderá ser adquirido via internet consultando o site da Editora Appris, por meio do endereço eletrônico www.editoraappris.com.br, nas maiores livrarias e lojas do Brasil, ou diretamente com o autor pelo telefone (38) 98836-3639.

FORMAÇÃO
A formação musical de Waldir Pereira da Silva ocorreu, em nível técnico, no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez (Celf), onde atuou como professor por 25 anos, ministrando várias disciplinas. Em nível superior é graduado com Licenciatura Plena em Música pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), onde também atuou como professor no curso de artes-música por duas décadas, ministrando várias disciplinas, e atuou também como regente do Coral Universitário até 2015. Em seguida tomou posse na Universidade Federal do Tocantins, Campus Professor Dr. Sérgio Jacintho Leonor – Cidade de Arraias (TO), como professor de música e coordenador do curso de licenciatura em educação do campo por quatro anos.

Nessa trajetória, fez mestrado pelo Instituto Superior Pedagógico Enrique José Varona (ISPEJV) – La Habana, título reconhecido pela Universidade de Brasília, e doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com pesquisa feita na área de música sacra, o que originou o livro. 
A tese de doutorado foi transformada no livro "Música Sacra Litúrgica: entre a tradição e a inovação", com 322 páginas, publicado pela Editora Appris.

PANDEMIA
Sobre a pandemia, Waldir disse que o mundo mudou, as pessoas mudaram, o comportamento do ser humano mudou, as relações interpessoais e familiares mudaram, as igrejas mudaram, as escolas mudaram, que a vida não será mais a mesma após a pandemia. 

“Me recordo de parte da letra de uma música do cantor Lulu Santos: 'Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia'. O mais importante é que Deus está no controle de tudo e Ele permitiu essa pandemia para que muitos entendam que o homem é frágil e que a sua sabedoria é loucura diante de Deus. Na sua sabedoria, o homem ainda não conseguiu debelar totalmente esse coronavírus SARS-Cov-2. Quando pensamos que está acabando aparece uma variante. Outro grande ensinamento é que podemos administrar melhor o nosso tempo. De março a novembro de 2020, em meio aos desafios do exaustivo trabalho remoto, devido à pandemia, encontrei tempo para transformar minha tese de doutorado em um livro”.

DESAFIOS
Em tempos de pandemia, o autor continuará a trabalhar na divulgação da obra de forma virtual e vai aguardar o momento propício para fazer um lançamento presencial. Também continuará alimentando a ideia de lançar o segundo livro.
Enquanto isso, aproveita o momento para ouvir o repertório de música erudita e popular, música sacra, ou “religiosa”, e o repertório musical necessário ao desenvolvimento das suas atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade.

“Em se tratando de música erudita, e em especial a música sacra, conheço, ouço, aprecio e estudo parte da obra de Wolfgang Amadeus Mozart, Georg Friedrich Haendel, Johann Sebastian Bach, Antônio Vivaldi, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, César Franck, dentre outros. No que diz respeito a música religiosa contemporânea, a produção fonográfica do mercado musical gospel”, conta.

INTERNET
As diversas redes sociais se consolidaram ainda mais como veículos de comunicação e informação nesses tempos de quarentena. Por isso, o autor tem usado WhatsApp, Facebook, YouTube e Instagram.

“Também nesses tempos de pandemia e distanciamento social não me sobra tanto tempo livre assim, devido às atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão de curso na universidade em regime de tempo integral. Modéstia à parte, nesse contexto ainda encontro um pequeno tempo para utilizar as redes sociais. Parte do tempo livre também é reservado para o descanso e para a família. Em minhas atividades profissionais tenho utilizado das diversas plataformas para realizar e participar de lives no campo educacional e religioso”, conta.

O autor deixa uma citação de Abumanssur (2005):
"A música nas igrejas tem múltiplas funções, além do seu uso litúrgico e de adoração a Deus. Ela é instrumento de catequese, de motivação, de catarse e de produção da identidade comunitária. Ela é missionária, decanta e sedimenta doutrinas. Ela introduz os espíritos no ambiente de culto, prepara para o anúncio da Palavra e encerra a reunião. Ela é onipresente na história e na vida das igrejas. Sem a música, o cristianismo tal qual nós o conhecemos, sequer poderíamos concebê-lo".