Artista plástica com muita história no cenário montes-clarense e internacional, Márcia Prates se apresenta neste domingo, as 20h, para Série online “Cultive.com”, idealizada por Berenice Chaves. A Série estreou em setembro, via Youtube, e vem apresentando gêneros artísticos como música, dança, artes plásticas e literatura, mostrando renomados artistas brasileiros e montes-clarenses.

Para Márcia, o convite a deixou bastante honrada. “Ao recebê-lo tive o ímpeto de gritar para que todos soubessem que ainda existem ideias comandadas por pessoas como a produtora cultural Beré que idealizou e produziu este projeto que, facilmente, solidariza com a arte pela sua alma intrinsecamente sensível. Foi bem assim, uma explosão de surpresas, gratidão e alegria”, conta.

Trajetória 
Durante a sua carreira, a artista conta que passou por muitos desafios, morou em Belo Horizonte, fez faculdade de arte e participou de várias individuais e coletivas.

“Quando na minha consciência, me vi na concretude da vida e procurando uma fresta que alojasse as minhas emoções, deixei fluir a minha arte, até então, conhecida e admirada por pessoas que me cercavam, que me conheciam de perto, família e colegas de escola. Depois de caminhar sempre envolvida na arte amadurecendo o talento, já morando em Belo Horizonte, tive a oportunidade de fazer o vestibular de Artes, na escola Guignard. Passei desde a 1ª prova de aptidão específica, fiz o curso para que tomasse a consciência, conhecimento técnico do que fazia. Já bem amadurecida e segura, com o triunfo e a coragem aumentados, por ter feito uma exposição no Palácio das Artes em Belo Horizonte (ambição de todos os artistas) tão difícil era a seleção. E isso foi a mola propulsora, fez brilhar meu currículo e crescimento”, diz. 

De volta a Montes Claros, a artista participou de um salão ICAAP, no Centro Cultural, onde foi premiada em 1º lugar com uma aquarela “fuga” outra grande motivação para seguir a sua caminhada. Com o nome lançado, convites surgiram para pintar murais em logradouros públicos como igrejas sacristia da Igreja de São Sebastião, Capela do hospital Aroldo Tourinho, bares, entre outros.

VISITA ESPECIAL
Depois de abrir a Casa de Cultura Márcia Prates, a artista recebeu na galeria da casa, a visita interessada de uma alemã, Inge Borg Hansen Bambach, que ao ver seu trabalho com pigmento mineral natural, a convidou para uma exposição individual na Alemanha, Hamburgo, em 2004, com a “Terra Brasil I”.

“Daí as portas da Europa se abriram, sempre com a minha presença quando comprovei com a quantidade de vendas e o aparente reconhecimento, em 2007, fui convidada pela Dinamarca em Roskilde, com o Terra Brasil II”, diz.

Nesse país, a artista ministrou o curso da sua técnica para químicos da subsidiária da Novonordisk NNPHARMAPLAN. 

“Foi um sucesso! Outro degrau da minha caminhada. Outro convite para a França, em 2011 e 2013. Em Saint Julien de Las Villes e, Le Riceys, e Troyes. Terra Brasil III, IV, V, VI. A VII Terra Brasil fiz em Montes Claros no Centro Cultural ainda em 2013”, diz.

Objetos e troféus
Inquieta e curiosa, a artista partiu para outros suportes. Continuou, impulsionada ainda por convites, encomendas, a fazer design de troféus que eram únicos, como obra de arte, para homenagens do colunismo social, famílias em homenagens especiais, peças em metal e cristal. 
“Isso era uma festa para minha verve criativa”, conta.

TERRA, ARGILA E MINERAIS
Márcia trabalha suas obras de pintura com materiais orgânicos como terra, argila e minerais. Com os “pés fincados no chão” e as “mãos sujas de terra” literalmente começou a a pintar com pigmentos minerais “in natura”. 

“Saí da minha zona de conforto em pintar com tintas industrializadas (pintava artes com tinta óleo). Saí em coleta aqui e ali argilas, toás do nosso rico solo, principalmente do quadrilátero ferrífero, em Belo Horizonte. É mágica a manipulação e a confecção da tinta com os pigmentos! Envolvente, encantados e o que se descobre do manipular essa riqueza mineral... não há como não continuar a pesquisa com argilitos, goetitas, sílicas (que não se extrai pigmento) e manganês. Pesquisa apaixonante e de resposta positiva em todos os aspectos”, diz.

As obras levadas a Europa fundamentam toda a coleção na pintura rupestre brasileira, onde foi possível divulgar as grutas, história, desconhecidos até mesmo pelos brasileiros.

CURSOS
A Casa de Cultura Márcia Prates, em obediência a determinações de decretos municipais referentes à pandemia, paralisou suas atividades em 120 dias, retornando com a arte que é um grande meio de reconstrução, com as devidas limitações. Está em pauta o curso de desenho e pintura para adultos, turno limitado com a devida precaução. 

SERVIÇO: SÉRIE CULTIVE ON LINE CONVIDA MÁRCIA PRATES
DATA: DOMINGO, DIA 22 DE NOVEMBRO
HORÁRIO: 20H
ONDE: www.youtube.com/Berenicechaves1