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Sexta-Feira,29 de Agosto

Fanfarra da Escola Estadual Dulce Sarmento completa 45 anos

Há 45 anos a Escola Estadual Dulce Sarmento desfilou o 7 de setembro com um elemento surpresa: pela primeira vez uma fanfarra executada pelos próprios alunos e membros do colégio se apresentou em Montes Claros

Jornal O Norte
Publicado em 04/09/2015 às 08:40.Atualizado em 15/11/2021 às 16:19.








Fanfarra foi fundada em 1970 pelo professor Marcelino Paz.
 

Juliana Gorayeb
Repórter

Há 45 anos a Escola Estadual Dulce Sarmento desfilou o 7 de setembro com um elemento surpresa: pela primeira vez uma fanfarra executada pelos próprios alunos e membros do colégio se apresentou em Montes Claros. Em 1970, o professor Marcelino Paz do Nascimento, educador físico da escola, criador e coordenador da fanfarra da época, mal sabia que deixava uma herança tão significativa, uma vez que em nenhum ano a fanfarra criada por ele deixou de desfilar.

O movimento tomou força a cada ano e tornou-se marca registrada, tanto dos dias 7 de setembro quanto das escolas que participavam. Marcelino coordenou o grupo da escola Dulce Sarmento por 25 anos, e depois de se afastar, foi a vez do filho, em 1995. Marcelino Paz do Nascimento Filho, conhecido por Preto, permaneceu no comando até 1999, continuando o legado do pai.

Wagner Fernandes, hoje educador físico e professor de percussão, passou a fazer parte da fanfarra em 1986, como aluno. Em 1999, substituiu o Preto e é coordenador desde então. Está há 16 anos liderando os trabalhos desenvolvidos pela fanfarra mais tradicional do Norte de Minas. Segundo ele, o interesse pelo batuque vem da família. Tios e primos já foram fanfarristas e carnavalescos e o incentivaram. “Já tinha contato com a percussão através do meu tio quando tinha apenas 6 anos de idade. Ele faleceu e, pouco tempo depois, tive oportunidade de entrar na fanfarra e desenvolver mais aquela vontade que eu tinha”, conta.










Participação na fanfarra diminuiu os índices de criminalidade na escola
 

O coordenador explica que, além do professor Marcelino, o professor Piloto, da Escola Estadual Plínio Ribeiro, foi peça fundamental para que os se tornassem o que são na cidade. Os dois provaram que o projeto da fanfarra escolar era possível de se viabilizar e instigaram as outras instituições.

De acordo com Wagner, o incentivo para a compra de instrumentos, financiamento de uniformes e ajuda financeira vem do Governo do Estado nas escolas estaduais e do municípios nas municipais. Tudo o que é adquirido se torna patrimônio da instituição. “As fanfarras são instrumentos para tirarmos os meninos de caminhos errados, de maus comportamentos. Só isso justifica o investimento do governo”, diz.









 

Falando em má conduta, existem diversos relatos de adolescentes que melhoraram suas atitudes na escola para não serem excluídos do seleto grupo de percussionistas. Como os critérios de seleção exigem que os alunos tenham notas razoáveis e bons hábitos, eles se adaptam. “Não vou citar nomes, mas já tivemos inúmeros casos de jovens desviados que se viram obrigados a melhorar. Principalmente no turno da noite. Costumo dizer que é principalmente esta perspectiva que me motiva a continuar liderando os membros. A parte disciplinar dos desfiles, por serem cívicos e de bases militares, ajudam a desenvolver estes valores”, fala Wagner.

Outro princípio que permeia a fanfarra Dulce Sarmento é o de amizade. Respeito, intimidade e muitas histórias juntos para contar. Wagner introduziu toda a família nos desfiles, assim como outros membros, para que a tradição seja repassada e que o vínculo seja ainda mais forte. “Há muitos casos de pais e filhos tocando juntos. Hoje minha esposa e meu filho fazem parte também. Digo que somos uma grande família que dá muito certo”, conclui.

Os alunos se sentem parte disso. Ariclenes Marques está no segundo ano do ensino médio e pela quinta vez desfilará o 7 de setembro como fanfarrista. “Participar é bom demais. Parece fácil mas é para quem gosta. Não adianta só tocar por tocar. Na fanfarra Dulce tem que ter boas notas, não pode fazer bagunça e assumir o compromisso”, afirma. Para Caio Rodrigues, que está no terceiro ano, o que mais mudou foi a disciplina. “Antes não nos preocupávamos com comportamento. Tinha como ser mais atentado”, brincou.

A diretora Marilene Lima dos Santos diz que a fanfarra é o projeto mais bem sucedido que existe na escola, de resultados mais perceptíveis e de mudanças de comportamento palpáveis. “Quando tomei posse, dei continuidade ao projeto. Este ano a fanfarra faz 45 anos de existência e nós conseguimos aglutinar alunos para que melhorem comportamento e até ex-alunos, que continuam por amar a tradição. Dou todo apoio e espero que seja sempre assim”, diz.


Fotos: Divulgação

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