“No dia em que estou pra baixo é o dia em que mais me arrumo”. Esse é o discurso de muitas mulheres que encontram na produção do visual uma maneira de melhorar a autoestima e o astral. E essa prática tem explicação científica e se tornou a base do livro “Quarentena sem Pijama”, de Sintya de Paula Jorge Motta, estrategista em cognição no vestuário e imagem.

Segundo os pesquisadores americanos Hajo Adam e Adam Galinsky, idealizadores do estudo “Enclothed Cognition” (Cognição do Vestuário), a roupas possuem significados simbólicos. E a ocorrência simultânea do significado simbólico da roupa com a experiência física de vesti-la tem um forte impacto na autoimagem das pessoas.

Seguindo essa perspectiva, Sintya começou a ver com outros olhos o comportamento da irmã, vítima de um câncer, mas que não abria mão de se produzir diariamente, apesar da quarentena e do tratamento agressivo.

“Não podia compreender como ela, que estava naquela situação, tinha ânimo para se vestir. Pensei até que esse ato que ela realizava era um ato fútil e superficial. No entanto, durante dias e meses ela se tornava ainda mais forte, era como uma armadura para enfrentar a luta”, diz.

Por outro lado, Sintya não via problemas em ficar o dia inteiro de pijamas em função da pandemia.
 
MENSAGENS
Com base na teoria dos professores da Escola de Administração Kellogg da Universidade Northwestern, de Illinois, que ela já conhecia após pesquisas para formação profissional, Sintya encontrou as respostas para entender o que a irmã estava demonstrando através da positividade que apresentava. “Quando realizamos o ato de vestir, sequer imaginamos que as roupas que estamos usando passam mensagens de quem somos”, explica a autora.

Sinthya explica que, intuitivamente, o que a irmã fazia estava certo! “Ao se vestir de acordo com a sua essência da melhor forma possível, ela se fortalecia para enfrentar o tratamento e a doença. Percebi, a partir daquele momento, que me vestia para o outro e não para mim mesma, e que deveria aproveitar o momento do isolamento para fazer o mesmo: me vestir alinhada com a minha essência, independentemente do olhar e aprovação do outro”.

A partir daí, a autora criou a QSP – Quarentena Sem Pijama. Durante 40 dias, ela postou um look por dia. “Em cada um deles buscava me vestir da melhor forma para realizar minhas atividades. Entrevistei 60 mulheres e investiguei o impacto do vestuário na produtividade, especialmente em situações de isolamento social como o que ainda estamos vivendo”, conta.

A conclusão dessa pesquisa, diz Sinthya, demonstra que a forma como nos vestimos influencia nossos hábitos pessoais e profissionais.

De toda essa experiência nasceu o livro “Quarentena sem Pijama – o poder das roupas sobre a autoimagem e a produtividade”, que Sinthya escreveu em parceria com a professora Leila Rabello.
 
LANÇAMENTO
O livro será lançado em Montes Claros nesta segunda-feira (16), às 18h30, na Livraria Nobel, no Montes Claros Shopping. Haverá outros lançamentos on-line.

“Ter dividido com outras pessoas a jornada de me vestir em harmonia com a minha essência e objetivo de vida manteve minha autoimagem positiva mesmo vivendo esse momento tão desafiador da pandemia”, ressalta Sintya. 

O livro será lançado em Montes Claros porque, segundo a escritora, a cidade foi escolhida para o fechamento de um ciclo. “Tem tudo a ver com todo meu amadurecimento e insights para o livro”.