Quem passa na rua Simeão Ribeiro, conhecida como Quarteirão do Povo, e na Praça Doutor Carlos, em Montes Claros, na certa já se deparou com o violoncelista Lázaro Oteniel do Carmo Veloso, de 21 anos. É ali, no frenético vai e vem de pedestres da região central que o rapaz tira o ganha-pão com doações em dinheiro de quem se encanta com os acordes.

Apaixonado pelo que faz, ele tem agora um objetivo mais ousado: tocar em festivais na Grécia. Ele conta ter sido convidado a integrar o grupo folclórico Banzé, de Montes Claros, que participará de três festivais internacionais de folclore na Grécia, em julho deste ano. A companhia embarca no próximo dia 3 rumo ao continente europeu e ficará em turnê até 23 de julho.

“Tive a oportunidade de aprender com os integrantes do Banzé, que dão um apoio muito grande, mas tem muitos gastos com passagem, taxa do passaporte, além de que preciso comprar um case para o violoncelo, que é muito caro. Não será possível obter esse dinheiro até julho com o que ganho nas ruas. Entendi que a melhor forma seria fazer uma vaquinha”, explica Lázaro.

O músico, que pretende iniciar um curso superior na área no próximo ano, afirma que toca em casamentos e em barzinhos, mas não é com frequência. Além disso, dá aula, porém o mercado de alunos para violoncelo é complicado. “Hoje, minha renda principal é a rua”, diz.

Por isso, Lázaro criou uma vaquinha on-line para conseguir a verba necessária, que chega a R$ 4 mil no total. “Eu gostaria muito que as pessoas se sensibilizassem com essa situação, inclusive, quem tiver interesse de passar lá para conhecer meu trabalho, pode parar para conversar comigo, para saber mais”.
 
HISTÓRIA
Lázaro é de uma família de músicos. A mãe estuda música, o bisavô era rabequeiro e faz composições e os tios também tocam diversos instrumentos. “Despertei a vontade de tocar muito cedo. Aos 10 anos, falei para o meu pai que queria tocar violoncelo, mas não tinha como, o valor era mais caro do que é hoje”, narra.

O músico relata ainda que o pai saiu e trouxe-lhe um trompete. Na adolescência tocou violão, guitarra e baixo.

Quando fez 18 anos, começou a ter aulas de violoncelo com uma amiga. “Nem tinha o instrumento, mas um amigo me emprestava o dele nos fins de semana. Então, das 21h do sábado até as 16h do domingo, era o tempo que eu tinha. Estudava noite a dentro, minha família não importava muito, graças a Deus. Eu não deixava eles dormirem não”, lembra.

Logo começou a trabalhar e comprou o violoncelo. “Um amigo, o Tibé, músico de São Paulo que agora mora aqui, me ensinou a tocar na rua, e estou nessa desde outubro”, conta.

Lázaro diz que a reação das pessoas à apresentação das ruas é incrível. “No cotidiano, as pessoas têm muitos problemas, passam com a mente preocupada, mas, quando veem aquilo, a gente percebe que ficam aliviadas, conseguem sorrir, então eu gosto muito de trazer esse alívio para as pessoas, é bem bacana”, garante.

Lázaro relata que a escolha pelo violoncelo se deu pelo gosto pelo instrumento grave. “Com 10 anos eu lembro que vi uma propaganda de uma fábrica de carros e nela tinha um violoncelista tocando em cima de uma ponte e os carros passavam. Desse dia em diante, decidi que queria tocar violoncelo”.

Sobre o estilo de música, Lázaro tem apreço pela Música Popular Brasileira. “Eu sempre gostei, inclusive, do desafio, porque não tem violoncelo nessas músicas, às vezes as pessoas acham que não combina quando começa a tocar. Na minha infância, escutei muito música erudita, na adolescência muito jazz, blues e rock, mas hoje o estilo que mais gosto é a MPB”, explica.

O violoncelista já não contém a ansiedade para viajar. “Eu não tenho dormido, estou com muita vontade de ver, querendo que chegue logo, estou com muitas expectativas”, diz Lázaro.

O fato de poder conhecer a Grécia, segundo ele, será um aprendizado muito grande. “Serão vários festivais, todos os países estarão nos festivais, então é uma troca de experiências muito grande. Além disso, é uma oportunidade de a gente levar a nossa cultura para fora do país, principalmente a música popular do Norte de Minas, e representá-la na Grécia”, destaca.
* Sob supervisão do editor.

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