
Na noite de quinta-feira (15), Montes Claros foi palco do lançamento do curta-metragem “Não é Homem”, dirigido pelas cineastas locais Fernanda Maia Xavier e Camila Berto Gomes. Inspirado em um “causo” familiar contado pelo avô de Camila, Luiz Berto, o filme explora a lenda da passagem do cangaceiro Lampião por São Francisco, uma das principais cenas da produção. O curta será exibido neste sábado (17), às 19h, na Praça do Centenário, em São Francisco, e em breve chega a Januária, com data e horário ainda a serem confirmados.
“A história é exatamente o filme. Meu avô falava em todo o almoço de domingo que ele tinha prendido Lampião e um dia eu o contestei. Aí ele me falou que tinha um livro. Pesquisei na internet e encontrei o livro do José Geraldo Aguiar, ‘Lampião o incrível — Duas Vidas, Duas Mortes’. Comprei o livro e vi a entrevista com meu avô, com o título, ‘você não é homem pra isso’. Daí o nome do filme”, conta Camila que hoje trabalha no departamento de câmera na Irlanda e retornou à Montes Claros especialmente para o lançamento. “Fazer a exibição do filme na minha cidade, Montes Claros, tem grande importância.
Para relembrar as pessoas sobre os artistas e a importância da arte nas nossas vidas”, disse. São 15 minutos de exibição, mas o trabalho foi de formiguinha. “Tivemos vários profissionais envolvidos. O processo de gravação é complicado, e a pós é um outro processo que pode dar muito certo ou muito errado. Conseguimos profissionais incríveis da pós para deixar o filme da forma como estava. A música foi feita em Montes Claros, edição em Araçuaí, mixagem e trilha de Goiânia, e cor e finalização em Belo Horizonte, e eu coordenando tudo lá da Irlanda”, conta Camila sobre os bastidores. E finaliza com uma mensagem ao público: “Não é um favor às pessoas assistirem cinema, quem produz a arte é que está fazendo um favor à sociedade de dar-lhes vida. Vamos mudar essa consciência das pessoas. Cinema é arte, é cultura, é lazer”.
Fernanda Xavier abraçou a história e a dupla então deu início à produção do curta. Foi um caminho longo, que passou pelo edital e, graças à Lei de Incentivo Paulo Gustavo, se concretizou. “Eu digo que é o meu primeiro filme com dinheiro e só foi possível graças a LPG. São muitas emoções. Fazer ficção com nosso sotaque, nossa cara, nosso arroz com pequi, é muito importante. Estou feliz que ele está vindo ao mundo”, disse a cineasta. “Espero abrir caminho para muitas pessoas. Temos muita história, muitos talentos”, conclui.
O elenco do curta é composto por nomes norte-mineiros já experientes, como o da atriz global Mayra Sá Ribeiro, mas também abriu espaço para novatos como Paulo Roberto, que nunca havia passado por experiência semelhante. Descoberto casualmente por Camila, que buscava alguém semelhante ao avô para além da aparência, ele aceitou o desafio. “Me convidaram e eu topei. Me ver na telona foi uma emoção, uma coisa inexplicável e sensacional”, disse Paulo. E brinca: “não estou dando autógrafo ainda, mas pretendo”. Cacio Xavier interpreta um jornalista no filme, mesma profissão que exerce no cotidiano. “É uma experiência diferente, mas eu estava na minha zona de conforto, que é fazer papel de jornalista”. Pai de Fernanda, ele conta que desde criança ela sempre foi uma leitora voraz. “Acho que as coisas fluem com naturalidade a partir do momento em que a gente incentiva a leitura. Um livrinho de pano no berço, e olha o que aconteceu hoje”, comenta.
INCENTIVO
Para Elpídio, as leis de incentivo são extremamente importantes para valorizar a cultura norte-mineira. “As vantagens da LPG e da PNAB são que são leis que incentivam a produção cultural em todos os campos. Então você tem teatro, tem música, tem literatura e cinema audiovisual. O cinema brasileiro é muito bom, desde sempre. O grande problema é que o Brasil tem menos salas de exibição do que a maior parte dos países e elas estão concentradas em RJ [Rio de Janeiro] e SP “, pontua. E frisa que, quando filmes brasileiros são exibidos, eles têm público, seja em praça pública, em museu, cineclube, ou nas salas de shopping. Os curtas, conforme avalia Elpídio, tem espaço nos editais, mas também esbarram na burocracia da exibição. “É preciso encontrar uma maneira de exibi-los, além dos festivais. Vai ser na televisão, vai ser no streaming? Se exibir, as pessoas vão assistir. O momento é muito representativo e cinema é indústria. Tem que ter investidores particulares e governo. As pessoas migram para onde tem incentivo”, afirma.
