Jerúsia Arruda


Repórter


jerusia@onorte.net



O povo brasileiro recebe do governo muito menos do que oferece. Trabalha em jornadas cansativas em troca de salários aviltantes, paga impostos exorbitantes, estuda em escolas precárias, enfrenta filas quilométricas nos hospitais, mora onde falta água em dias de calor e sobram alagamentos em dias de chuva. Mesmo assim, esse povo que desconhece os símbolos nacionais e não sabe cantar o Hino Nacional consegue se mobilizar quando se trata de ajudar ao próximo e, com a aproximação do natal, esse espírito de solidariedade fica ainda mais aflorado.



Desde que foi criada, em 1993, pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, todos os anos, a campanha Natal Sem Fome convoca a todos os brasileiros a exercerem a solidariedade através da doação de alimentos não-perecíveis, tendo como objetivo garantir que as famílias carentes tenham uma refeição digna para comer no dia de Natal.





O lançamento ocorre geralmente em 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, dando início a uma maratona de dois meses onde campanhas, eventos e mutirões são realizados pela ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida em todo o país e participação de empresas, escolas, governos, associações de moradores, artistas, igrejas, instituições e população de um modo geral.



Neste ano a campanha ganha novo nome - Natal Sem Fome dos Sonhos – e, além de alimentos, estão sendo arrecadados livros infanto-juvenis e brinquedos, evidenciando a importância da cultura como ferramenta de inclusão social, através da qual é possível qualificar as expressões e práticas da arte e cultura populares transformando-as em promoção de bem-estar social, dando mais sabor à vida da população com menor renda e menos direitos.



De acordo com os idealizadores da nova versão da campanha, a recuperação da auto-estima da parcela da população é o início da compreensão de que somos iguais e, portanto, temos ou deveríamos ter os mesmos direitos aos sonhos e às suas realizações, e as diferentes manifestações artísticas são as formas mais rápidas de alcançarmos sucesso junto à população excluída e realizarmos esta transformação.



Desde a iniciativa de Betinho, a campanha vem ganhando adeptos por todo país que, cada um a sua maneira, promove a arrecadação de donativos que possam trazer um pouco de alegria às famílias menos favorecidas, principalmente às crianças.



Em Montes Claros, um grupo de músicos se uniu para a promoção da campanha Encha o saco do Papai Noel e faça uma criança feliz, com o objetivo de arrecadar brinquedos.



Idealizada pelo músico e publicitário André Águia, a campanha vai até o dia 12 de dezembro, com mobilização da população para a doação de brinquedos, que podem ser entregues em um grande saco de Papai Noel, montado no Montes Claros Shopping.



Os brinquedos arrecadados, reavivando o lúdico do Natal, serão doados a instituições que assistem crianças carentes de Montes Claros e região, representando o resgate ao direito de sonhar com uma vida melhor.



Para encerrar a campanha, uma grande confraternização musical brinda o público com diversos estilos musicais, com o show Os Sons de Noel, que reúne grandes nomes da música norte-mineira, mostrando a força e a diversidade da arte produzida na região.



Com participação dos músicos e cantores André Águia, The Paula, Léo Lopes & Carlos Soyer, Marcelo Andrade, Fred Viana, Marcela Carvalho & Jackson Kundera, Vila Vinil, Marcos Neves, Lindomar Coimbra, Cori e Fabiano, Wanderson Almeida, entre outros, o espetáculo acontece no dia 12 de dezembro, às 19h, no Montes Claros Shopping.



A entrada é gratuita.