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Sexta-Feira,29 de Agosto

A reinvenção dos Catopês

Na última reportagem da série especial sobre os grupos das festas de Agosto, O Norte mostra a história dos grupos de Catopês que descenderam do 1º Grupo

Jornal O Norte
Publicado em 22/08/2015 às 08:24.Atualizado em 15/11/2021 às 16:21.

Andreza Lima
- Repórter

Na última reportagem da série especial sobre os grupos das festas de Agosto, O Norte mostra a história dos grupos de Catopês que descenderam do 1º Grupo. Você vai conhecer a história do Grupo de Catopês de São Benedito, coordenado pelo Mestre Expedito, e também a origem do 2º Grupo de Catopês, que começou através de um sonho do Mestre João Farias.

Mestre João Farias, o homem que tinha um sonho
Chefe do 2° Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, João Batista Farias participa dos cortejos desde seus oito anos. A tradição pelas Festas de Agosto começou pelo seu pai, José Soares Farias, quando era caixeiro do grupo. Aos poucos ele também foi entrando no ritmo dos cortejos e com 27 anos assumiu a coordenação do grupo, como o Mestre João Farias.










Mestre João Farias pediu autorização ao Mestre Zanza para a realização do grande sonho, montar o próprio grupo de Catopês
 


Quando ainda criança, já era apaixonado pela cultura folclórica. Esse sentimento foi crescendo cada vez mais, a ponto de querer montar o seu próprio grupo. A partir dessa ideia, ele procurou o responsável pelos cortejos da festa, Mestre Zanza, e pediu autorização para que também montasse outro grupo dos Catopês. Sabendo do seu potencial e responsabilidade, Zanza aceitou. “Foi na cara e na coragem que ergui meu grupo. Custeei todos os materiais e uniformes dos integrantes do grupo, mas eu consegui realizar meu sonho”, disse João Batista.

Atualmente o grupo é composto por 60 integrantes, todos são homens. Seus filhos também já participaram dos cortejos e hoje os netos participam. Os preparativos para festa começam sempre no mês de junho. Com a ajuda da família e apoio dos entes queridos, ele consegue desfilar todos anos. “Todas as pessoas que participam do meu grupo, eu não considero apenas integrantes, mas sim meus filhos. O que eu puder fazer por eles eu faço” comenta o mestre.

Os instrumentos utilizados no grupo são a caixa, pandeiro, tamborim e chocalho, que juntos não só nas Festas de Agosto, mas também onde os eventos que o grupo está, repercutem alegria para todos que assistem os cortejos.

Hoje aos 67 anos, João Batista se sente realizado por todos os momentos felizes que o seu grupo lhe proporciona. “Agradeço a todos que contribuem para que essa festa aconteça, pois é a partir deste carinho e apoio que essa tradição nunca acaba”, finaliza o mestre.

Mestre Expedito, o braço direito do Mestre Zanza
Chefe do Grupo dos Catopês de São Benedito, José Expedito, acompanha os cortejos folclóricos desde seus três anos. Aos cinco anos já participava das Marujadas e com nove anos era integrante oficial dos Catopês. A pedido do Mestre Zanza e por decisão da Secretaria Cultural de Montes Claros, em 1973 ele assumiu a liderança do Terno de São Benedito como o Mestre Expedito.                










“Enquanto eu piscar, continuarei como o mestre dos Catopês”, afirma Mestre Expedito, que passou por uma sessão de hemodiálise poucos dias antes de desfilar pelas ruas de Montes Claros
 


Para conquistar o companheirismo de todos do grupo não foi fácil, muitas pessoas não acreditavam em seu potencial. Uma das dificuldades relatadas por Mestre Expedito é que na época, haviam integrantes que faziam bagunça durante os cortejos, desrespeitando a tradição do grupo. “Hoje somos todos unidos, tirei essas pessoas que atrapalhavam os cortejos e aos poucos provei aos que não gostavam que o trabalho podia ser sério”, explica.

Mesmo quando ainda não era mestre, José Expedito sempre dava seu melhor para que a tradição não acabasse. Certa vez o responsável pelo grupo havia desviado a verba destinada para os materiais e uniformes e por um momento todos pensaram que iriam ficar sem desfilar.  Na época ele tinha acabado de prestar um serviço e, com o dinheiro que recebeu, custeou as despesas que faltaram. Comprou alguns instrumentos e tecidos para fazer as fardas e reuniu todo o grupo para começarem a ensaiar.  

A amizade com o Mestre Zanza começou quando ainda eram crianças, a paixão pela tradição folclórica era um dos motivos que fortalecia esse companheirismo. Quando foi convidado para ser o mestre, ele ficou pensativo, pois acreditava que não iria consegui assumir tamanha responsabilidade. Mas ele conseguiu, e a batalha de preservar a tradição do grupo continua.

Atualmente o grupo é composto por 40 integrantes, inclusive seus quatro filhos e netos. “Meu filho Vanderlei Cardoso é meu braço direito, ele é o 2° mestre do grupo. Sempre me ajuda em tudo, assim como minhas filhas, por isso escolhi que elas fossem as primeiras mulheres do grupo”, conta.

Há poucos dias atrás Mestre Expedito estava internado para fazer alguns exames e na última quarta-feira (18), passou por uma hemodiálise. Mas isso não foi empecilho para participar dos cortejos este ano. Sua dedicação e a amor pelos grupo são maior que qualquer fraqueza. “É como eu digo para todos, enquanto eu piscar, continuarei como o mestre dos Catopês”, afirma o mestre.


PROGRAMAÇÃO
Na noite de ontem (21) houve o levantamento do Mastro do Divino Espírito Santo. Neste sábado, sob o Reinado do Divino, haverá o cortejo com saída da praça Dr. João Alves a partir das 9h. Na programação cultural, a partir das 20h tem show com a banda Berrodágua e em seguida com o cantor Beto Guedes. No domingo, a partir das 10h, tem o Encontro Mineiro de Ternos de Congado, na Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos. A partir das 15h tem a procissão de encerramento, com saída do Centro Cultural Hermes de Paula.




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