A paralisação dos caminhoneiros deixou um estrago de grandes proporções na economia norte-mineira. Levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que, em nove dias de greve, a perda chega a cerca de R$ 640 milhões, sendo R$ 85 milhões somente na indústria.

O cálculo leva em conta, segundo o economista chefe da Fiemg, Guilherme Leão, que 55% da produção ficou parada em Minas. Dessa forma, o prejuízo diário para a economia mineira é de R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 350 milhões somente no setor industrial. 

Para o Norte de Minas, avaliando a participação da região no PIB mineiro, o prejuízo diário foi de R$ 71 milhões – R$ 9,5 milhões somente no setor industrial.

O baque foi grande também nas exportações, principalmente de medicamentos e carnes, cujos setores ficaram completamente parados. “Significou uma perda de vendas de algo em torno de US$ 25 milhões”, ressaltou.

Montes Claros é a cidade mais afetada, pois 47% da produção regional está concentrada no município. A segunda é Pirapora, que responde por 15% da produção. A paralisação afetou ainda, diretamente na indústria, algo em torno de 35 mil trabalhadores.
  
EFEITOS 
E as consequências para a população ainda continuam. Depois de dez dias de paralisação dos caminhoneiros, as filas continuam grandes nos postos de combustível em Montes Claros.

Além da longa espera para conseguir abastecer, o consumidor reclama do preço cobrado, como Marcelo Pereira, que trabalha com equipamentos de saúde.

“Atendo pessoas que estão em equipamentos de suporte à vida. Se o aparelho parar e eu não tiver combustível para atender, o paciente pode vir a óbito. Minha situação é delicada. Hoje tive que trocar um equipamento e consegui uma moto para fazer a substituição do aparelho”, conta.

Apesar de considerar o preço salgado, Marcelo, que soube pela internet sobre a chegada do combustível no posto, diz que pretende ficar na fila até conseguir fazer o abastecimento.

“Antes da greve, pagava R$ 4,35. Agora, já vi combustível a R$ 5,17. É a lei da oferta e da procura. Mas se não fosse meu compromisso com os pacientes, não iria abastecer. É uma situação abusiva”, afirma.

No mesmo posto, Pedro Ribeiro aguardava para abastecer a moto que utiliza para fazer entregas no restaurante onde trabalha. “Vou tentar encher o tanque. A moto tem capacidade para 12 litros e eu gasto cerca de três litros por noite. Mas preciso garantir ao menos a entrega do final de semana”, diz.
 
INCERTEZA
Ivan Barbosa, gerente do posto, revela que o produto tem chegado, mas acaba rapidamente. “Ontem, recebemos 13 mil litros de álcool, mas acabou em menos de duas horas. O que chega é insuficiente. Não temos certeza de nada e nem previsão de horário. As pessoas entram na fila sem garantia de que irão conseguir. Tem que arriscar”, afirma.

Em outro posto no centro da cidade, o critério adotado foi o de abastecer por ordem de chegada sem limitar a quantidade do produto.

“Recebemos 20 mil litros de álcool e 5 mil de gasolina. O abastecimento começou às 6h e às 9h a gasolina já tinha acabado. Atendemos mais ou menos 400 pessoas. Agora, só temos o etanol e calculamos que dá para uns 600 veículos”, disse André Fabrício Souza, funcionário do posto. Com relação ao preço, André destacou que a gasolina teve um aumento de R$ 0,20.
 
ALARDE 
O anúncio pelas redes sociais de uma nova paralisação a partir de segunda-feira deixou a cidade em alerta e pode ter contribuído para aumentar as filas nos postos. Charles Bessa, supervisor de fiscalização de terceirizados do Ministério Público, atende a Montes Claros e mais 21 cidades da região. Por determinação do órgão, não viajou esta semana e, caso uma nova greve aconteça, não irá na próxima.

“Estou no posto desde cedo. Corri aqui porque vi em grupos de WhatsApp que pode haver mias protesto. Vou abastecer meu carro e garantir a próxima semana de trabalho aqui na cidade mesmo”.