Cultura

Quadrilha de MOC dá show e fica em 2º no concurso estadual

Com apenas 18 dias de preparação, 60 norte-mineiros levaram prêmio de R$ 8 mil

Alexandre Fonseca
Publicado em 08/08/2022 às 21:47.
Arraiá do Pequizá surgiu em 2002, de um grupo da igreja do bairro Maracanã (trezefilmes)

Arraiá do Pequizá surgiu em 2002, de um grupo da igreja do bairro Maracanã (trezefilmes)

O grupo Arraiá do Pequizá, de Montes Claros, conquistou o 2º lugar no Concurso de Quadrilhas no 43º Arraial de Belo Horizonte, realizado no fim de semana.  

Com o tema “Um Ser Tão Novo, o Cerrado e o Pequizá”, o grupo formado por 60 dançarinos levou, ainda, um prêmio de R$ 8 mil.

Arraiá do Pequizá já conquistou o título em cinco oportunidades.

Foram menos de três semanas de preparação para a edição deste ano. O diretor Rafael Borges contou que depois de um longo período sem apresentações, reuniões ou ensaios devido à pandemia, o Arraiá do Pequizá decidiu apostar em novos dançarinos. 

“Nosso grupo começa os ensaios no mês de fevereiro, para dar início às apresentações do final de maio até agosto. Depois de agosto, começamos a pensar o ano seguinte, com seleções e reuniões. Com a queda no número de casos de Covid, começamos a nos reunir de devagar e voltar com o grupo depois de dois anos parados”, contou. 

A coreografia reproduziu a resiliência tortuosa do Cerrado. O figurino usou as simbologias do carvão e das flores - representando as queimadas e o desespero em apagar os incêndios que assolam o sertão norte-mineiro.  

O espetáculo “Um Ser Tão Novo, o Cerrado e o Pequizá” levou para a capital mineira uma história de dor, indignação e resiliência sertaneja.  

Para Guilherme Antunes Souza, participante da equipe responsável pela criação dos enredos, “o tema desse ano surgiu devido às históricas lutas por território, principalmente povos tradicionais e suas terras preservadas”.  

“Cada dia mais notícias de incêndios, desmatamentos no cerrado e outros biomas; mais recentemente os avanços e incentivos a destruição da Amazônia e do Pantanal através de incêndios, grileiros e políticos. Daí a ideia de falar do cerrado, talvez para muitos o patinho feio dos biomas, mas tem muita beleza, cultura e vida nessa savana. Visando valorizar aqueles que defendem o cerrado em pé, defendem a agricultura familiar do norte de minas e são contra as práticas predatórias que assolam nosso cerrado e seus povos” relatou Guilherme. 
 
OLHA A NOIVA! 
Encantada pela arte quadrilheira do Arraiá do Pequizá, Helloíne Martins entrou para o grupo em 2009 e participa até hoje. Na apresentação do Arraial de Belo Horizonte, a empresária montes-clarense foi a “noiva” do espetáculo.  

Apesar do desânimo devido as perdas do grupo nos últimos anos devido a pandemia, Helloíne diz que o grupo precisou encontrar forças na luta pela cultura e movimento junino. “Quando houve a liberação para retornar aos ensaios, decidimos não retornar as apresentações em 2022, mas quando fizemos a seleção para novos integrantes e nos deparamos com tanta gente nova disposta a somar e ajudar o grupo, ficamos bem mais animados e esse foi um dos motivos que nos impulsionou a participar do Concurso Estadual faltando. Realizamos uma força tarefa e começamos a ensaiar todos os dias de 18h às 22h. Não foi fácil, mas foi gratificante. Participar de um concurso estadual vai muito além de prêmio e dinheiro. A emoção, a experiência, o processo é o que mais vale” completa a “noiva”. 
 
RANKING FINAL
Participaram 14 quadrilhas sendo o ranking estadual: 1º Santa Terezinha (Muriaé), 2ª Arraiá do Pequizá (Montes Claros) e 3º Perecolândia (Itabira). De acordo com organizadores, as quadrilhas mobilizam diretamente mais de 3,2 mil pessoas nas apresentações, sem contar torcidas e familiares.

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