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Pandemia exigiu ainda mais das mães para tocar negócio e cuidar da casa

Larissa Durães
07/05/2022 às 10:38.
Atualizado em 07/05/2022 às 10:38
Simony se dividia entreBenício e a loja de acessórios (ARQUIVO PESSOAL)

Simony se dividia entreBenício e a loja de acessórios (ARQUIVO PESSOAL)

Cuidar da casa, dos filhos, do marido, da família e do trabalho. Não é novidade que as mulheres, há décadas, são multitarefa. Mas uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres indica que o peso sobre a mãe empreendedora ficou ainda maior durante a pandemia.

As mulheres que tocam o próprio negócio se viram em um emaranhado ainda maior de funções em casa, com os filhos tendo aulas remotas, o marido e até ela mesmo em home-office.

O levantamento feito pelo Programa “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios” indica que pelo menos 63% delas relataram o aumento da carga de trabalho em casa como desafio mais significativo e a principal barreira à sua dedicação ao negócio.

O desempenho do empreendimento próprio ficou mais prejudicado por essa necessidade de maior dedicação em casa do que as dificuldades econômicas pessoais e do país. 

O estudo mostrou ainda que depois do boom da pandemia, “aumentou” ou “aumentou muito” para as mães o tempo dedicado às seguintes atividades: 92% no cuidado com os filhos e filhas; 85% na rotina de cuidado da casa; 74% do tempo gasto nas atividades escolares e 59% nas atividades do negócio.

Além disso, “diminuiu” ou “diminuiu muito”, para 64% das mães, o tempo disponibilizado ao lazer e ao autocuidado. Uma mãe que se identifica com essa situação é Simony Mendes Neves.

Depois de trabalhar quatro anos em uma rede de farmácia em Montes Claros, engravidou de Benício, hoje com 4 anos, e precisou parar de trabalhar. Montou, então, o próprio negócio, a Simony Acessórios, em Brasília de Minas. “Decidi abrir minha loja em casa e assim conseguiria trabalhar e cuidar do Benício”, conta.

No entanto, a pandemia trouxe inúmeras dificuldades para Simony. Benício tinha que ficar todo o tempo em casa, o que exigia mais a presença e dedicação da mãe.

“Foi um período muito difícil, porque eu não podia ir na casa das clientes e, com isso, as vendas diminuíram muito. Agora, as coisas estão voltando ao normal e estou com grande procura para o Dia das Mães. Pela manhã, enquanto faço as vendas on-line, o Benício fica comigo e, na parte da tarde, ele vai pra escola e aproveito para fazer as entregas”.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Conciliar o trabalho com a maior demanda em casa também exigiu muito de Milene Santos Saraiva. Dona de uma empresa de chinelos e brindes personalizados em Montes Claros, ela conta que a pandemia dificultou a vida de todos, mas as mães empreendedoras precisaram de muita inteligência emocional para enfrentar o caos.

“A pandemia, com filhos dentro de casa, dificultou um pouco a situação, mas, mesmo agora, com as portas abertas, é um desafio constante”, afirma. 

Milene diz que para dar conta de tudo – inclusive de dois filhos com autismo –, a solução foi terceirizar a produção para dar conta de se dedicar mais à família. “Já que eu decidi ser mãe, em meio período eu terceirizo o trabalho, repassando algumas funções para um gerente”, conta.

Mesmo com todo “sacrifício”, Milena diz que existe uma fórmula para dar conta de tudo. “É estar bem tranquila. Após 15 anos de empresa, entendi que é necessário abrir mão de algumas coisas, porque estando bem, a gente consegue empreender melhor”, aconselha.

Apoio profissional
Com todas as dificuldades que têm que enfrentar para empreender, essas mães têm a ajuda do Sebrae Minas por meio de um programa dedicado a apoiar e orientar mulheres que sonham em ter ou que precisam melhorar a gestão do próprio negócio. “O Sebrae Delas foi uma excelente ferramenta para essas mulheres no período de pandemia, pois oferece a oportunidade para que elas se capacitem, mantenham e melhorem seus negócios, tornando-os mais competitivos. Além disso, potencializa as expertises das mulheres, encorajando-as a trilharem o caminho de sucesso”, destaca Michelle Chalub. No Norte de Minas, o programa já atendeu 325 mulheres por meio de capacitações, oficinas, cursos e palestras.


 

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