
Em um bate-papo marcado por sensibilidade, propósito e compromisso social, O NORTE DE MINAS conversa com Marcel Raoni, advogado especialista em Direito Previdenciário e Trabalhista que transformou o conhecimento jurídico em ferramenta de acolhimento e transformação de vidas.
Muito além dos processos e tribunais, Marcel dedica grande parte da sua trajetória ao voluntariado. Logo após concluir a graduação, iniciou seu trabalho voluntário na Associação dos Deficientes de Montes claros (Ademoc), instituição onde encontrou não apenas uma forma de atuar profissionalmente, mas também a missão que passou a guiar sua vida: ajudar pessoas.
Segundo ele, o desejo de servir ao próximo nasceu ainda na infância, inspirado pela mãe, que atuava como perita do Judiciário. Ao acompanhar de perto a dificuldade enfrentada por tantas pessoas para conseguir acesso a benefícios e direitos básicos, Marcel despertou para uma realidade que o marcou profundamente. Foi ali que nasceu a vontade de fazer a diferença na vida de quem mais precisa.
Nesta conversa, ele fala sobre empatia, justiça social, os desafios enfrentados pela população mais vulnerável e como o voluntariado se tornou parte essencial da sua história.
O que te levou para o direito previdenciário?
A influência veio de casa. Minha mãe era perita da Justiça Federal e eu cresci a vendo carregando pilhas de processo de capa branca e rosa para fazer laudo pericial. Aquilo me despertou admiração. Já no primeiro período da faculdade, comecei como estagiário voluntário no Juizado Especial Federal, onde permaneci por três anos. Foi ali que construí minha base e me apaixonei pela área.
Quando começou a atuar como voluntário na Ademoc?
Comecei em 2013, logo após me formar. Mesmo enquanto estudava para concursos, já prestava orientações na associação. Como já tinha OAB, vi que poderia ajudar muita gente e isso sempre falou mais alto.
Seu maior aprendizado como voluntário na Ademoc?
Aprendi a valorizar o simples. Desfrutar o dia com mais tranquilidade e apreciar cada detalhe. Entendo que cada pessoa carrega uma história muito maior do que aparenta.
Um caso que te marcou?
O de uma mãe atípica, que criava dois filhos adolescentes com TEA. Além de trabalhar, ela enfrentava desafios muito delicados dentro de casa, com situações que iam além do que qualquer preparo emocional daria conta. Um dos filhos estava avançando na fase da puberdade e os efeitos desta, tornava o ambiente domiciliar inabitável. O que mais me marcou foi a sensação de impotência - perceber que, muitas vezes, o Direito resolve uma parte, mas não alcança toda a dor daquela família.
O que te emociona nesse trabalho?
É poder levar esperança. Muitas famílias chegam fragilizadas, sem direção, e antes mesmo de qualquer resultado, o acolhimento já transforma. Saber que elas se sentem ouvidas e respeitadas é o que mais me realiza.
Qual sua missão de vida?
Acredito que minha missão é evoluir e ajudar outras pessoas a evoluírem também. Seja formando bons profissionais, orientando minha filha ou apoiando quem cruza meu caminho. Quero criar um ambiente onde as pessoas cresçam, descubram seus potenciais e sigam mais fortes.
Quem é o Marcel fora do escritório?
É difícil separar. Eu vivo o que faço. Trabalho com algo essencial, que impacta diretamente a vida das pessoas. Muitas vezes, é no fim de semana que a necessidade mais aperta e eu escolho estar disponível. Já conversei com minha filha sobre isso, e ela entende. No fim, tudo que faço também é por ela.
