
A escritora montes-clarense Maria Luiza Macêdo Chaves, mais conhecida como Lulu Chaves, faz sua estreia no mundo literário com o livro “RBRB, 484”. A obra é uma coletânea de crônicas e poesias que resgata memórias afetivas e cenas do cotidiano com sensibilidade e bom humor. O lançamento será realizado no dia 9 de abril, em Montes Claros.
Graduada em pedagogia, Lulu Chaves teve sua atuação profissional voltada prioritariamente para a vida no campo. A rotina no campo e a maternidade exigiram um equilíbrio constante. “Quando meus filhos entraram na idade escolar, eu administrava à distância e/ou terceirizava as atividades colegiais deles, mas sempre com sucesso. Foi uma luta vitoriosa, graças a Deus”, conta Lulu Chaves.
Como você se descobriu escritora?
Sou de uma família de pessoas que gostam de ler e escrever. Meu avô, João Chaves, foi poeta, jornalista e escritor. Meu tio-avô, Hermenegildo Chaves — o Monzeca-jornalista, foi editor por muitos anos do Jornal Estado de Minas. Meu pai, Sidney Chaves, era um devorador de livros e apreciador das artes em geral. Então, fui criada em um ambiente profundamente marcado pela literatura e pelo amor ao conhecimento. Cresci cercada de livros, entre pessoas que faziam da leitura uma prioridade e da cultura um valor essencial. Na minha casa, os livros eram quase como membros da família, e o ato de ler, mais que um hábito, era uma forma de viver.
De onde surgiu a ideia para seu livro? É o primeiro?
O fato de viver na fazenda me presenteava com o tempo (esse luxo raro que a vida moderna tantas vezes nos nega). Quando o trabalho se encerrava e os empregados partiam no final da tarde, a fazenda mergulhava em um silêncio sereno, interrompido apenas pelos sons da natureza. Era nesse cenário que eu me entregava à leitura. Foi ali, entre matas e pastos, que percorri os caminhos da literatura clássica, viajando por séculos e culturas sem sair do meu refúgio.
Então me tornei uma leitora e acredito que quem lê muito, inevitavelmente desenvolve um olhar mais sensível para as palavras e, muitas vezes, acaba também sentindo vontade de escrever. A leitura, para mim, nunca foi apenas um passatempo, mas algo que se enraizou, que ficou guardado em algum lugar dentro de mim, esperando o momento certo para se manifestar.
Depois de 33 anos de casamento, quando decidi me separar e retornar à vida urbana, minha jornada tomou um novo rumo. Foi justamente nessa transição que mergulhei nas redes sociais, especialmente no Facebook, onde comecei a compartilhar pequenas histórias do meu cotidiano. Eram relatos simples, sem grandes pretensões literárias, mas escritos com leveza e humor. E, para minha surpresa, essas histórias começaram a cativar as pessoas.
O que você consome no mundo da arte?
Desde a infância, a música sempre esteve presente na minha vida. Venho de uma família grande, com nove filhos, e a musicalidade sempre foi um traço marcante em nosso lar. Meus irmãos mais velhos eram apaixonados por música, e muitos de nós herdamos esse gosto e talento. Minha irmã é pianista, meu irmão mais velho toca praticamente todos os instrumentos, seguindo os passos do nosso avô, João Chaves. Outra irmã toca violão e piano. Entre nós nove, apenas três não tocam nenhum instrumento, mas todos são grandes apreciadores da música.
Meu gosto musical é amplo, mas tenho uma forte inclinação para o rock clássico, o rock progressivo, o pop rock e a música popular brasileira. A arte, de maneira geral, sempre me fascinou. Além da música, sou admiradora das artes plásticas e gosto de conhecer a obra dos grandes pintores da humanidade. Esse interesse foi incentivado pelo meu pai, que também nos apresentou à música clássica e à literatura. Ele nos ensinou a valorizar os clássicos da literatura mundial, mas também nos guiou pelo caminho da literatura brasileira, dos cronistas e da literatura moderna.
A arte, em suas diversas formas, sempre fez parte da minha vida. Seja pela música, pela pintura ou pela literatura, encontro nela uma fonte inesgotável de beleza e inspiração.
Quais são os seus planos? Já pensa em um próximo projeto?
Não tenho grandes pretensões literárias, mas desejo continuar escrevendo crônicas sobre a minha vida no interior, minhas memórias na zona rural e a beleza da simplicidade. Quero transformar momentos comuns em algo extraordinário e divertido, oferecendo entretenimento aos leitores, sempre buscando um texto bem escrito e divertido.