
O universo das aves brasileiras ganhou destaque em Montes Claros com a exposição fotográfica “Beleza Alada”, do fotógrafo de vida silvestre Alex Sezko. A mostra gratuita começou na última segunda-feira (18) e segue aberta à visitação até o dia 31 de maio, no Museu Regional do Norte de Minas, reunindo registros de espécies documentadas em diferentes regiões do país, como Minas Gerais, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A visitação à exposição é gratuita e pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30 no Museu Regional do Norte de Minas em Montes Claros.
A exposição propõe uma imersão no universo da observação de aves, prática que consiste em observar e registrar espécies em seu habitat natural, incentivando a conscientização ambiental e a valorização da biodiversidade. Segundo a plataforma WikiAves, o Brasil possui cerca de 1.975 espécies catalogadas, e o Norte de Minas se destaca pela presença de aves raras e exclusivas.
Montes Claros abriga 366 espécies registradas, incluindo o raro beija-flor Asa-de-Sabre-da-Mata-Seca, encontrado no Parque Estadual da Lapa Grande. Dos registros fotográficos da espécie no WikiAves, 81% foram feitos em Montes Claros. Somados aos registros de Januária, os dois municípios concentram 92% das fotografias já feitas da ave no país. A exposição reúne ainda imagens de outras aves raríssimas, como a Rolinha-do-Planalto, redescoberta em Botumirim após 74 anos, além do Soldadinho-do-Araripe, da Arara-Azul-de-Lear e do Galo-da-Serra.
Natural de Ponte Nova, Alex Sezko vive em Montes Claros desde o fim da década de 1980. Apaixonado por fotografia desde a infância, encontrou inspiração nas imagens da revista National Geographic. Durante a pandemia da Covid-19, decidiu unir a fotografia à observação de aves, transformando a atividade em seu principal hobby. Atualmente, ele integra o Clube de Observadores de Aves do Norte de Minas e soma registros de 695 espécies diferentes, figurando entre os 80 observadores mineiros com maior número de espécies documentadas na plataforma Wikiaves.
Segundo Alex Sezko, a fotografia de natureza passou a ter um novo significado a partir do contato mais próximo com as aves. “A fotografia, antes da observação de aves, era algo esporádico e sempre relacionado à minha atividade profissional. Desde criança, sempre tive fascínio por imagens de natureza e, recentemente, encontrei na observação de aves uma forma de ampliar minha conexão com o meio ambiente. Hoje, não me vejo mais sem esse hobby. Enquanto algumas pessoas planejam viagens para conhecer lugares, eu me programo para conhecer novas espécies de aves”, afirma.
O fotógrafo destaca ainda os desafios enfrentados para registrar algumas espécies. “Cada registro tem sua própria história. Uma das aves mais difíceis de fotografar, apesar de não ser rara, é o zabelê, uma espécie de inhambu que vive caminhando entre folhagens secas, em áreas de difícil visualização. Ela é relativamente comum, mas muito arisca. Em Minas Gerais, existem apenas 33 fotos dessa espécie, das quais 11 são de minha autoria”, conta.
Para Alex, a exposição também cumpre um importante papel de conscientização ambiental. “Só podemos preservar aquilo que conhecemos. Exposições como ‘Beleza Alada’ permitem que a população conheça espécies que muitas vezes passam despercebidas e compreenda a importância da preservação ambiental. O Norte de Minas possui aves raríssimas e que colocam a região em destaque nacional na observação de aves, como a Rolinha-do-Planalto, em Botumirim, e o beija-flor Asa-de-Sabre-da-Mata-Seca, em Montes Claros”, ressalta.
