
A música foi usada como recurso de inclusão em uma atividade que reuniu alunos surdos e ouvintes em Montes Claros. Em 17 de setembro, a banda infantil Fiu Fiu de Cotovia apresentou o espetáculo músico-teatral “A Magia do Silêncio — Arte e Inclusão para a Comunidade Surda”, no CAIC do Renascença.
A apresentação combinou música, teatro, educação ambiental e recursos de acessibilidade. O projeto é desenvolvido pela Cotovia Art Educa, produtora cultural e musical de Montes Claros, e busca ampliar o acesso à cultura no ambiente escolar.
Durante o espetáculo, recursos visuais, movimentos e vibrações foram utilizados para que os estudantes surdos acompanhassem a apresentação. Também houve interpretação em Libras, realizada por profissionais da Librescer.
A atividade reuniu estudantes surdos e ouvintes no mesmo espaço e apresentou diferentes formas de comunicação. A proposta é levar recursos de acessibilidade para apresentações culturais realizadas em escolas.
Para a cantora Leila Britto, que interpreta a personagem Lelê, a experiência teve um significado especial. “Foi uma felicidade enorme cantar para essas crianças e perceber que a música pode criar pontes entre pessoas que se comunicam de maneiras diferentes. Ver alunos ouvintes e surdos vivendo aquele momento juntos foi muito emocionante para toda a nossa equipe”, destaca.
Ela ressalta ainda que a apresentação reforçou a importância de levar iniciativas inclusivas para as escolas. “A Magia do Silêncio mostra para nós que a arte pode ser uma linguagem de encontro. Estar ali, vendo as crianças participando, interagindo e descobrindo umas às outras, reforçou ainda mais a importância de levar projetos como esse para dentro das escolas”, completa.
A intérprete de Libras da Librescer, Gracielle Andrade, também destaca o caráter inclusivo da iniciativa. “Eu vejo esse evento como um passo muito grande, principalmente aqui em Montes Claros. A proposta é incluir, e não segregar, promovendo um evento que não seja destinado apenas a surdos ou a pessoas com determinadas deficiências, mas que seja, de fato, inclusivo”, afirma.
Segundo Gracielle, garantir acessibilidade é fundamental para que todos possam participar da experiência. “Não adianta, por exemplo, ter um evento com entrada gratuita e outros benefícios se não houver acessibilidade em Libras. Os surdos também precisam ter o direito de participar. No evento de hoje, eles puderam vivenciar e sentir a mesma emoção que os ouvintes, com a acessibilidade necessária para que todos possam aproveitar a experiência”, completa.
Além da inclusão, o espetáculo aborda a preservação da natureza. Por meio de canções autorais, personagens e atividades lúdicas, a banda apresenta ao público infantil reflexões sobre a importância dos cuidados com o meio ambiente. A educação ambiental é incorporada à linguagem artística, aproximando o tema do cotidiano das crianças.
O diretor da Escola Joaquim José, Milton Cordeiro Aguiar, considera a parceria positiva para a instituição e para a comunidade. “Esse momento e essa parceria foram muito positivos, não só para a nossa escola, mas também para todos os Cemeis da região e para a nossa comunidade. Sei que esse evento representa uma abertura para outras iniciativas que virão. Pretendemos trazer mais eventos para a Escola Joaquim José e para toda a nossa região”, afirma.
Entre os estudantes, a apresentação também deixou boas lembranças. “Foi muito bom participar desse show da Banda Fiu Fiu de Cotovia! Eu fiquei muito feliz com as músicas, as brincadeiras e toda a alegria do evento. Foi um momento especial, em que todo mundo pôde se divertir junto. Espero que aconteçam mais apresentações como essa, porque a música e a inclusão fazem a gente se sentir parte de algo muito bonito”, relata o aluno Brian Martins.
O cantor Ediny Emiliano, que interpreta o personagem Tio Ed, destaca o poder da música para aproximar diferentes públicos. “Foi uma alegria muito grande cantar para a comunidade surda e para os alunos do CAIC do Renascença. Ver todos reunidos, celebrando juntos, foi um momento emocionante e especial. A música tem esse poder de unir pessoas, superar barreiras e promover a inclusão”, afirma.
A iniciativa é realizada pela Cotovia Art Educa, por meio da Lei Aldir Blanc, Ministério da Cultura, Governo do Brasil, SNC e Secretaria de Cultura e Turismo, com apoio da Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria de Educação, e da Librescer.
