
Mais presentes na rotina dos filhos, os pais assumem um papel que vai além do sustento financeiro e fortalece os vínculos familiares. No próximo domingo (9), quando é celebrado o Dia dos Pais — data instituída no Brasil em 1953 e comemorada sempre no segundo domingo de agosto —, histórias como a do advogado Marcel Borges ilustram essa transformação. Pai de Maya e responsável por criá-la sozinho durante boa parte da infância, ele afirma que a paternidade redefiniu sua vida e sua forma de enxergar o mundo.
Marcel conta que a chegada da filha o fez rever prioridades, abandonar preocupações que perderam importância e compreender que a verdadeira liberdade passou a ter um propósito. “A paternidade, para mim, foi um propósito que Deus colocou na minha vida para me tornar uma versão melhor de mim mesmo. Quando um filho chega, você não ganha apenas uma responsabilidade. Você ganha uma oportunidade de amadurecer, de evoluir como pessoa, como homem e, na minha visão, até espiritualmente”, declara o advogado.
Essa mudança aconteceu naturalmente. O advogado conta que passou a viver em função de proteger, cuidar e orientar a filha, percebendo que a paternidade altera definitivamente a forma como um homem enxerga o mundo. “Depois que a paternidade chega, você nunca mais é o mesmo”, reflete.
Na avaliação dele, essa transformação individual acompanha uma mudança cultural mais ampla. Marcel acredita que a figura paterna deixou de ocupar apenas o papel de sustento financeiro para assumir uma presença efetiva na rotina dos filhos. “Hoje o pai continua sustentando a casa, mas também cuida. Dá banho, prepara comida, leva ao médico, participa das reuniões da escola, coloca o filho para dormir. Descobrimos que esse vínculo é tão importante quanto qualquer outro dentro da família”, analisa.
No caso de Marcel, essa presença foi construída em uma rotina que, durante anos, contou apenas com ele e Maya. Sem dividir as responsabilidades do dia a dia, precisou aprender sozinho a lidar com os desafios da criação.
Ele lembra que enfrentou situações comuns para muitos pais, mas pouco discutidas, como a dificuldade de encontrar fraldários disponíveis em banheiros masculinos. Também encontrou formas de oferecer conforto à filha nos momentos em que ela sentia falta da mãe. “Quando ela estava comigo, colocava o bico da mamadeira encostado no meu peito para tentar reproduzir aquele aconchego e ajudá-la a pegar no sono”, revela.
Para Marcel, são justamente esses pequenos gestos que constroem a relação entre pais e filhos. Ao longo dos anos, fez questão de participar de todas as fases da infância da filha, acompanhando consultas médicas, reuniões escolares, atividades extracurriculares e apresentações.
Apesar de frequentemente receber elogios por essa dedicação, ele nunca considerou que estivesse fazendo algo extraordinário. “Eu estava apenas sendo pai. Talvez a sociedade ainda esteja aprendendo que ser pai não é apenas prover. É cuidar. É educar. É acolher. É estar presente”, afirma.
Hoje, ao olhar para trás, Marcel diz que percebe que foi ele quem mais mudou durante essa caminhada. A convivência diária com a filha moldou não apenas sua forma de exercer a paternidade, mas também seu jeito de viver. “A paternidade não tirou a minha liberdade. Ela deu sentido à minha liberdade. Ela me tornou um homem melhor, um profissional melhor, um filho melhor e, principalmente, um ser humano melhor”, declara.
Ao resumir essa trajetória, o advogado faz uma reflexão que considera a melhor definição da própria história: “No fim das contas, a minha história não é sobre um pai que criou uma filha. É sobre uma filha que transformou um homem em pai”.
