
Nascida em Monte Azul, no Norte de Minas, Érika Luz construiu sua trajetória na música entre sonhos, mudanças e reinvenções. O que começou aos 14 anos, em uma rádio da cidade natal, ganhou novos caminhos em Montes Claros e se transformou em carreira como DJ. Hoje, reconhecida no cenário nacional, ela também comanda o Baile da Luz, projeto que une música, dança, efeitos especiais e interação com o público.
Como foi sua infância e adolescência em Monte Azul?
Foi uma infância linda, ao lado dos meus pais, sempre presentes e cuidadosos. Minha adolescência foi regada de alegria e amigos. Foi nessa fase que descobri minha paixão pela música. Aos 14 anos, trabalhei como pequena aprendiz em uma rádio da cidade. Foi ali que aprendi a amar a música, que até hoje faz parte da minha caminhada.
Antes de se tornar DJ, você passou por outras experiências profissionais. O que elas ensinaram?
Além da rádio, trabalhei em um jornal de notícias e em uma produtora musical. Essa última experiência foi um divisor de águas. Tive a oportunidade de viver a música de perto e a certeza de que queria fazer dela minha profissão. Foi quando fiz um curso profissional de DJ.
Como foram seus primeiros passos na profissão?
Foi muito difícil. Depois do curso, chegou a hora de fazer acontecer e enfrentei as dificuldades do início. Mas minha vontade era maior. Comecei um passo de cada vez, mesmo querendo tudo para ontem (risos). Hoje sei que o tempo é de Deus. Lembro de cada detalhe da primeira apresentação: frio na barriga, tremedeira, dor de barriga e calafrios. Até hoje não entendo como consegui tocar (risos). A sensação de fazer uma plateia gigante feliz foi única.
Quais foram os maiores desafios do início da carreira?
Com toda sinceridade, foram os falsos e mentirosos: contratantes e produtores aproveitadores, que usam os sonhos das pessoas para se darem bem. Meu início foi tenso. Fui muito enganada e tive prejuízos por confiar em algumas pessoas e ainda não ter a experiência que tenho hoje.
Você enfrentou preconceito por ser mulher em uma profissão predominantemente masculina. O que precisou fazer para conquistar espaço?
Precisava diariamente mostrar que meu trabalho teria a mesma importância que o de um DJ homem e que minha entrega seria tão profissional quanto a de qualquer outro. Com a graça de Deus, as portas foram se abrindo. Começamos a ser procuradas como artistas principais das line-ups, e isso abriu um leque de oportunidades.
Você esteve por cinco anos consecutivos entre as 100 melhores DJs da América Latina. O que esse reconhecimento representou?
Representou que valeu a pena cada luta, cada renúncia e cada desafio. Ver aquela menina-mulher que saiu de uma cidadezinha pacata do Norte de Minas Gerais ser reconhecida entre as 100 melhores DJs é uma sensação inexplicável. Só o coração sabe o quão gratificante foi. Inclusive, estou concorrendo mais um ano a esse título.
Em 2022, você criou o Baile da Luz. De onde surgiu a ideia?
Foi justamente na volta da pandemia. Nós, músicos, voltamos à estaca zero e todo o cenário havia mudado. Com o início do TikTok, o mercado também mudou. Eu trabalhava com eletrônico e deep house, mas naquele momento o mercado já não aceitava mais esse estilo musical. Foram dias pensando no que fazer para agradar essa nova geração. Foi quando Deus me guiou e me deu a ideia de lançar o Baile da Luz, que foi um sucesso.
Quem é a Érika quando as luzes se apagam?
Um churrasquinho em casa, levar minha sobrinha Liz para o meu refúgio, o Hotel Fazenda Bonjuá, ou sentar em um boteco de chinelo, shortinho e camisetinha, sem maquiagem, e tomar uma bem geladinha. Se consigo uma folguinha no fim de semana, gosto de curtir uns modões. Sou a DJ que gosta de música sertaneja para o meu lazer. Para o público, toco o que eles querem ouvir.
O que ainda falta para Érika Luz realizar?
Quero conseguir tocar em grandes festivais. Infelizmente, aqui no Brasil, muitas vezes isso não se conquista somente por mérito, mas também por padrinhos e indicações. Sigo forte na esperança de um país melhor, onde o profissional consiga subir cada degrau por merecer estar ali, e não por indicação. Também tenho outros projetos que sempre acendem aqui dentro do coração. Quero oferecer o melhor show para o meu público e tenho muitas ideias que ainda quero colocar em prática.
