A busca por uma alimentação mais saudável deixou de estar ligada apenas a pessoas que precisam retirar determinados alimentos da dieta por condições como doença celíaca ou intolerância à lactose. O movimento alcança consumidores que, mesmo sem restrições específicas, passaram a prestar mais atenção à qualidade, à procedência e à composição do que colocam no prato. Essa mudança de comportamento também transformou o mercado de alimentação saudável, segundo a nutricionista clínica e empresária Luciana Versiani.
Luciana acompanha essa transformação desde 2017, quando iniciou um negócio especializado em alimentos artesanais sem glúten. Antes de atuar na área, ela era formada em Direito e trabalhou como advogada entre 2014 e 2017. A experiência como empreendedora no setor de alimentação e, posteriormente, a formação em Nutrição ajudaram a aproximá-la de um consumidor que, segundo ela, está mais informado e menos interessado em seguir modismos.
“Hoje, a alimentação saudável não é mais só para quem está fazendo dieta ou tem alguma restrição”, explica. A nutricionista observa que o público passou a buscar opções mais naturais, artesanais e de melhor qualidade para o consumo cotidiano, ampliando o mercado para além do segmento fitness e de dietas específicas, como a low carb.
Essa mudança também alterou a forma de comercializar os alimentos. Luciana destaca o crescimento da procura por produtos congelados e embalados a vácuo, que permitem ao consumidor conciliar alimentação de qualidade com uma rotina de pouco tempo disponível. O modelo representa uma mudança em relação às encomendas tradicionais e amplia as possibilidades de planejamento das refeições.
Para ela, entretanto, alimentação saudável não deve ser confundida com produtos que carregam apenas o rótulo “fit”. A base da dieta, segundo a nutricionista, deve continuar sendo formada por alimentos de verdade, como arroz, feijão, frutas e proteínas. Outro ponto destacado pela especialista é a necessidade de olhar para além da frente das embalagens. Luciana recomenda que o consumidor leia a lista de ingredientes e fique atento à presença de aditivos, gorduras hidrogenadas e outros componentes. No caso de pessoas com doença celíaca ou outras restrições, a atenção deve ser ainda maior: produtos que antes eram considerados seguros podem ter sua composição alterada.
Para a nutricionista Luciana Versiani, mais do que acompanhar uma tendência, é preciso uma mudança de relação com a comida: conhecer o que se consome, avaliar a procedência dos ingredientes e fazer escolhas possíveis de manter no cotidiano. Para o mercado, isso significa atender um consumidor mais atento e que já não procura apenas um produto “saudável”, mas informação e confiança sobre aquilo que está comprando.

