A Polícia Civil de Minas Gerais, por meio da Delegacia de Homicídios, instaurou inquérito policial para apurar a morte de Daniele Pereira Leite Sampaio, ocorrida no dia 21 de fevereiro deste ano. 

No dia 21 deste mês, foram expedidos mandados de prisão temporária contra o homem de 48 anos, suspeito de ser o mandante do crime, e os comparsas, acusados de executores, que têm 24 e 36 anos. 

Durante as investigações, apurou-se que Daniele matinha um relacionamento extraconjugal há cerca de 10 anos com o suspeito de ser o mandante do crime, de quem engravidou. O homem teria exigido que a vítima praticasse um aborto, o que foi recusado por ela, que já teria realizado um aborto cerca de 2 anos antes.

De acordo com o delegado Bruno Rezende, da Delegacia de Homicídios, foram oito meses de investigações, com toda a estrutura da delegacia voltada para a apuração dos fatos. “Foi realizada a prisão temporária e há informações da participação dos três no crime, comprovado nos autos, inclusive por testemunhas e por uma analise de vínculos pela Polícia Civil, que mostra, entre outras coisas, a articulação do crime de feminicídio”, explica o delegado.

“O mandante chegou a ser detido no dia do crime, mas, por falta de provas, que são obtidas somente por investigação, foi liberado. A interceptação telefônica mostrou o contato atípico entre os executores e o mandante. Além disso, informações dão conta do relacionamento extraconjugal que o acusado mantinha com a vítima e de que ela chegou a narrar mensagens a familiares e testemunhas, afirmando que nem morta faria um segundo aborto e que o autor poderia matá-la. Também há informações de que, na primeira gravidez, caso ela se recusasse a fazer o aborto, esse mesmo suspeito providenciaria a morte da vítima”, conta o delegado.

A mulher também teria confidenciado a uma amiga que tomasse conta da filha (que tem de outro relacionamento), caso ocorresse algo com ela, narrando que tinha medo de que o suspeito fizesse algo com ela, revela o delegado. 

De acordo com a Polícia Civil, horas antes do crime, cerca de 20 ligações foram feitas entre o suposto mandante e os comparsas. Os dois supostos executores têm registros policiais por envolvimento com o tráfico de drogas e homicídio. Todos os três encontram-se detidos temporariamente, no Presídio Regional de Montes Claros. 

O mandante é cabeleireiro e dono de uma academia, onde dá aulas de capoeira.  

ENTENDA O CASO
A vítima, Daniele Pereira Leite, de 32 anos, foi morta na manhã de 21 de fevereiro, em cima de uma motocicleta, no bairro Nossa Senhora das Graças, quando saía para o trabalho.

Ela foi atingida por três disparos de arma de fogo. Na época, o homem casado com quem ela tinha um relacionamento chegou a ser detido, sob suspeita, mas liberado, por falta de provas e por ter um álibi para o momento do crime.