A primeira tentativa de simulação de suicídio registrada pela Delegacia de Homicídios de Montes Claros foi divulgada ontem pelo titular da delegacia, Bruno Resende Silveira. A morte de Elizângela Gomes Vieira, de 37 anos, cujo corpo foi encontrado em 22 de junho, com uma corda no pescoço, deixou de ser uma suspeita de suicídio, depois da investigação policial, para se tornar uma comprovação de homicídio.

O corpo estava na avenida Bio Lopes, bairro Tancredo Neves, em uma casa construída em terreno ao lado da residência do segurança Gilvan Vieira Pinto, de 41 anos, de quem a vítima estaria em processo de separação. 

Em um primeiro momento, a Polícia Civil tratou o caso como suicídio. Entretanto, de acordo com o delegado, “na medida em que as investigações avançaram, conseguimos comprovar que as lesões do corpo da vítima, tanto do ponto de vista médico-legal, quanto em relação à cena do crime, eram totalmente incompatíveis com suicídio, ou seja, não havia manchas suficientes para indicar que tinha sido dependurada, porque a ação da gravidade nas manchas teria sido diferente, se de fato tivesse se enforcado”. 

O delegado informou que a perícia comprovou que o sangue escorria na lateral do rosto, “indicando que a vítima estava deitada, porque, se estivesse dependurada, as marcas de sangue teriam outro formato”.

As suspeitas dos investigadores foram reforçadas após cumprimento de mandato de busca e apreensão cumprido em 25 de outubro. É que a análise do celular de Gilvan Vieira – detido no Presídio Regional de Montes Claros – apontou que ele instalou programa espião no aparelho da esposa, monitorando em tempo real todas as conversas da comerciária Elizângela Gomes pelo WhatsApp e outras redes sociais. Além disso, através de um rastreador instalado no veículo da esposa, acompanhava seus encontros com amante, colega de trabalho na lanchonete.
 
CLASSIFICAÇÃO 
O caso é, na verdade, segundo a Polícia Civil, o 15º homicídio do ano na cidade e o segundo feminicídio. Resende observou que “desde o início os peritos e médico legista obtiveram vestígios que descartavam a hipótese de suicídio, quando passamos a apurar com mais rigor o caso, para descartarmos intervenção criminosa de terceiros e indiciar o esposo por feminicídio e homicídio qualificado, com o agravante de ter alterado a cena do crime, sob alegação de que tentou salvá-la”.

O delegado informou que Gilvan Vieira, que tem passagens por ameaça e apropriação indébita, “não retirou o corpo da vítima no Instituto Médico Legal, não foi ao velório nem ao sepultamento”. O segurança Gilvan Vieira está sendo processado judicialmente por não ter buscado o corpo e muito menos bancado as despesas de sepultamento.