A vacinação contra a bronquiolite segue disponível em Montes Claros e em mais 53 municípios da região, abrangidos pela Superintendência Regional de Saúde (SRS). Até a última quarta-feira (17), 600 doses foram registradas como aplicadas no sistema de informação do Plano Nacional de Vacinação, embora o número real possa ser maior. Isso porque nem todos os municípios podem ter atualizado as informações no sistema. A SRS informou que um total de 3.664 doses foi distribuído, e Agna Menezes, do Núcleo de Vigilância da SRS, reforça a importância da atualização dos dados para um acompanhamento preciso da campanha de vacinação.
“A bronquiolite é um processo inflamatório que compromete o pulmão do pequeno paciente, principalmente a criança abaixo de um ano de idade e sobretudo os bebês abaixo de seis meses. Essa é a grande preocupação. A criança acima de um ano que adquire esse vírus não é tão preocupante quanto aquelas abaixo de um ano”, diz a pediatra Oriana Vieira Carneiro.
Segundo Oriana, a doença não escolhe ninguém e pode ser leve, moderada ou grave, com risco de óbito. “Em 2024 e 2025, tivemos uma incidência alta de crianças internadas por bronquiolite e mortes. Ela contrai o vírus respiratório ‘sincicial’ e o comprometimento pode trazer um processo infeccioso grave que justifica a internação numa UTI. Em alguns casos, a criança necessita de intubação porque ela não dá conta de respirar”, destaca. Em relação à vacina ser aplicada em gestantes, a pediatra explica que “recebendo a vacina a partir da 28ª semana, a mãe vai começar a produzir a defesa para este bebê que vai chegar. Ao nascer, ele ainda não tem os anticorpos. Essa proteção vem com a vacina”, afirma. Oriana ressalta que “a vacina tem um alto custo na rede privada e ser introduzida no programa de vacinação do SUS é uma conquista fantástica para a pediatria”, diz.
A jornalista Ana Clara Gregory está com 19 semanas de gestação e, embora ainda não esteja no período indicado para receber a vacina contra a bronquiolite, ela e o marido Daniel permanecem atentos ao calendário. “Hoje, o motivo de comparecer ao posto foi outro, o de vacinar contra a hepatite, por indicação médica, mas irei vacinar assim que completar as 28 semanas. Meu esposo é muito organizado e estamos contando os dias”, diz Ana Clara. Na gestação do filho Léo, que atualmente tem um ano e meio, não havia a vacina disponível na rede e isso alterou a rotina do casal, como conta Daniel Gregory. “No auge dos casos entre abril e junho, a gente deixou de viajar e passamos a ficar em casa para proteger nosso filho. Minha mãe trabalha em uma UTI neonatal em BH e ela ficava desesperada com a falta de leitos. Ter a vacina agora no SUS é motivo de comemorar mesmo, porque quando a bebê nascer, o Léo vai estar na escolinha e em contato com outras pessoas, aumentando o risco”, conclui.
A Prefeitura de Montes Claros foi procurada para informar sobre os números e a situação da vacinação no município, mas até o fechamento da edição não houve retorno.