
Após o obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e não apenas uma questão estética ou de “falta de força de vontade”.
A médica nutróloga, Juliana Couto Guimarães, reforça que o tratamento exige responsabilidade e acompanhamento profissional. “A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada como tal. Não se trata apenas de reduzir calorias ou aumentar a atividade física. Existem mecanismos hormonais e metabólicos que influenciam diretamente o apetite, a saciedade e o gasto energético. Por isso, o tratamento deve envolver acompanhamento médico, orientação nutricional estruturada, prática de atividade física adequada, cuidado com o sono e atenção à saúde mental”, ponderou a especialista.
Nos últimos anos, medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 ganharam ampla visibilidade. Esses fármacos atuam em hormônios relacionados à saciedade, ajudam a reduzir o apetite e podem contribuir significativamente para a perda de peso quando há indicação clínica adequada.
No entanto, o uso sem orientação médica acende um sinal de alerta. “Esses medicamentos representam um avanço importante e podem transformar a vida de muitos pacientes quando bem indicados. O problema é quando passam a ser vistos como solução estética rápida. O uso sem avaliação médica pode causar efeitos adversos como náuseas intensas, vômitos persistentes, perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e alterações metabólicas. Além disso, sem acompanhamento estruturado, é comum ocorrer reganho de peso após a suspensão”, explicou.
A especialista destaca ainda que os medicamentos são ferramentas terapêuticas e não substituem mudanças no estilo de vida. A reorganização alimentar, a prática regular de exercícios físicos e o acompanhamento clínico contínuo permanecem como pilares fundamentais do tratamento.
Para o médico Helder Leone Alves de Carvalho, o enfrentamento ao estigma também faz parte da solução. “Precisamos tratar a obesidade com respeito, responsabilidade e ciência. Combater o preconceito é tão importante quanto oferecer tratamento adequado. Informar a população sobre os riscos do uso de medicamentos sem orientação médica é uma medida de proteção à saúde coletiva. Saúde não é moda nem tendência. É compromisso de longo prazo”, ressaltou Leone.
