Sinal de alerta

Uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer preocupa especialistas

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 05/03/2026 às 19:00.Atualizado em 05/03/2026 às 21:14.
A médica nutróloga Juliana Couto Guimarães reforça que o tratamento da obesidade exige responsabilidade e acompanhamento profissional, destacando que a obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada como tal. (Freepik)
A médica nutróloga Juliana Couto Guimarães reforça que o tratamento da obesidade exige responsabilidade e acompanhamento profissional, destacando que a obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada como tal. (Freepik)

Após o obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e não apenas uma questão estética ou de “falta de força de vontade”.

A médica nutróloga, Juliana Couto Guimarães, reforça que o tratamento exige responsabilidade e acompanhamento profissional. “A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada como tal. Não se trata apenas de reduzir calorias ou aumentar a atividade física. Existem mecanismos hormonais e metabólicos que influenciam diretamente o apetite, a saciedade e o gasto energético. Por isso, o tratamento deve envolver acompanhamento médico, orientação nutricional estruturada, prática de atividade física adequada, cuidado com o sono e atenção à saúde mental”, ponderou a especialista.

Nos últimos anos, medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 ganharam ampla visibilidade. Esses fármacos atuam em hormônios relacionados à saciedade, ajudam a reduzir o apetite e podem contribuir significativamente para a perda de peso quando há indicação clínica adequada.

No entanto, o uso sem orientação médica acende um sinal de alerta. “Esses medicamentos representam um avanço importante e podem transformar a vida de muitos pacientes quando bem indicados. O problema é quando passam a ser vistos como solução estética rápida. O uso sem avaliação médica pode causar efeitos adversos como náuseas intensas, vômitos persistentes, perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e alterações metabólicas. Além disso, sem acompanhamento estruturado, é comum ocorrer reganho de peso após a suspensão”, explicou.

A especialista destaca ainda que os medicamentos são ferramentas terapêuticas e não substituem mudanças no estilo de vida. A reorganização alimentar, a prática regular de exercícios físicos e o acompanhamento clínico contínuo permanecem como pilares fundamentais do tratamento.

Para o médico Helder Leone Alves de Carvalho, o enfrentamento ao estigma também faz parte da solução. “Precisamos tratar a obesidade com respeito, responsabilidade e ciência. Combater o preconceito é tão importante quanto oferecer tratamento adequado. Informar a população sobre os riscos do uso de medicamentos sem orientação médica é uma medida de proteção à saúde coletiva. Saúde não é moda nem tendência. É compromisso de longo prazo”, ressaltou Leone.

Compartilhar
Logotipo O NorteLogotipo O Norte
E-MAIL:jornalismo@onorte.net
ENDEREÇO:Rua Justino CâmaraCentro - Montes Claros - MGCEP: 39400-010
O Norte© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por