Alerta sanitário

Surto de sarampo em São Paulo coloca Minas Gerais em alerta

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 03/08/2026 às 19:00.
A médica Oriana Vieira Carneiro Brant ressalta que a melhor forma de prevenção é a vacina, para evitar reação em cadeia (Marcelo Camargo/ Agência Brasil)
A médica Oriana Vieira Carneiro Brant ressalta que a melhor forma de prevenção é a vacina, para evitar reação em cadeia (Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

O registro de um surto de sarampo em estados da Região Sudeste acendeu o alerta das autoridades de saúde. Com 15 casos confirmados em São Paulo até esta segunda-feira (3), o Ministério da Saúde iniciou uma campanha de multivacinação no estado, voltada à população de até 59 anos. Em Minas Gerais, não há casos confirmados, mas a vigilância sanitária monitora o risco de transmissão por meio de casos importados.

“Tive sarampo na infância, mas eu só soube porque minha mãe comentou, depois que eu me vacinei já adulta, há cerca de três anos”, disse a jornalista Gabrielle Mourão, ressaltando: “apesar de estar protegida, tenho muito medo do sarampo”. A preocupação tem sentido, já que o sarampo é uma doença altamente contagiosa. A médica pediatra Oriana Vieira Carneiro Brant explica que a transmissão se dá pelo ar, por meio da tosse, espirro ou contato com secreções respiratórias de uma pessoa infectada. “Os primeiros sintomas costumam ser febre alta, tosse, coriza, irritação nos olhos e dor de garganta. Depois surgem manchas vermelhas pelo corpo, sinal característico da doença. O período de incubação varia entre sete e 20 dias”, informa.
 
PROTEÇÃO
A médica destaca que a queda na cobertura vacinal começou durante a pandemia da Covid-19 e afetou não apenas a vacinação contra o coronavírus, mas também diversas outras doenças preveníveis, como o sarampo. “Houve uma redução importante na procura pelas vacinas. Percebemos nos consultórios que muitas crianças deixaram de completar o cartão de vacinação e isso aumentou o risco do retorno de doenças que já estavam controladas”, explicou. Essa queda, aliada à importação de casos por viagens internacionais, é determinante na disseminação do vírus, especialmente no caso de aglomerações. “Havia uma preocupação do Ministério da Saúde de que logo depois da Copa do Mundo poderia surgir casos de sarampo, já que nos EUA, um dos países sede, a vacinação não tem ocorrido de maneira efetiva. E, como foi previsto, aconteceu. Surgiram os casos”, exemplificou.

Conforme a pediatra, bebês entre seis e 11 meses recebem a chamada “dose zero”, uma proteção antecipada em situações de risco, mas que não substitui as doses previstas no calendário vacinal, aplicadas aos 12 e aos 15 meses. “A vacina utilizada é a tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. É a mesma vacina aplicada tanto na rotina quanto em situações de emergência”, observa.

Quanto às pessoas com mais de 59 anos, a médica afirma que normalmente não houve a recomendação de vacinação atualmente porque muitas já tiveram contato com o vírus no passado e desenvolveram imunidade natural. “Embora medidas como uso de máscara em ambientes de risco possam ajudar, a principal forma de prevenção continua sendo a vacinação, para evitar o sarampo e impedir novos surtos. É possível que o Ministério da Saúde amplie as estratégias de vacinação para todo o país. O objetivo é impedir que o vírus continue se espalhando”, comenta.
 
CENÁRIO
A Superintendência Regional de Saúde em Montes Claros (SRS-MG) informou que em 2025 foram registradas 16 notificações de suspeita da doença, sendo 11 em Montes Claros; três em Coração de Jesus; uma em Indaiabira e uma em Porteirinha. Já em 2026, foram notificados três casos suspeitos de sarampo, sendo um em Coração de Jesus, um em Montes Claros e um em Rio Pardo de Minas. Nenhum dos casos foi confirmado na área de abrangência. Mesmo assim, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) recomenda a todos os municípios, especialmente aqueles localizados na divisa com o estado de São Paulo, para intensificar a vigilância de casos suspeitos de febre e exantema; realizar notificação imediata dos casos suspeitos; garantir coleta oportuna de amostras laboratoriais; Instituir isolamento respiratório dos casos suspeitos; realizar investigação epidemiológica em tempo oportuno; rastrear e monitorar contatos; executar vacinação de bloqueio conforme as recomendações vigentes; revisar e atualizar a situação vacinal da população, com atenção especial às crianças, profissionais de saúde, viajantes e demais grupos suscetíveis.

Em Montes Claros, foi iniciada a Campanha de Multivacinação, para aplicação de todas as vacinas que estiverem incompletas, incluindo a tríplice viral. O público-alvo é de crianças e adolescentes menores de 14 anos não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto. A campanha vai até o dia 1º de setembro de 2026, com o Dia D de Mobilização marcado para 20 de agosto. As vacinas estão disponíveis nas 44 salas de vacinação do município, nos horários especificados. No

Maracanã, Shopping, Esplanada, Village e Santos Reis, das 8h às 21 horas. No Cintra, Morrinhos, Planalto, São Judas, Vila Oliveira, Vera Cruz e Vila Sion, a vacinação é de 8 às 18h30. As demais salas de vacina funcionam das 8h às 17h.

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