Articulação regional

Rede de saúde mental mobiliza 86 municípios do Norte de Minas

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 02/09/2026 às 19:00.
Renata de Andrade, coordenadora regional das promotorias de Defesa da Saúde
Renata de Andrade, coordenadora regional das promotorias de Defesa da Saúde

O fortalecimento das redes de atendimento em saúde mental e às pessoas com deficiência entrou na mira da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde do Norte de Minas. Em parceria com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e outros atores, o assunto foi debatido em evento nesta última terça (1º) e quarta-feira (2) e reuniu representantes de 86 municípios do Norte de Minas.

A promotora Renata de Andrade Santos, coordenadora regional das Promotorias de Defesa da Saúde do Norte de Minas, destacou que foram convocados secretários municipais de Saúde e coordenadores de três áreas consideradas estratégicas: a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) e a Atenção Básica, com o propósito de discutir os problemas enfrentados nos municípios, integrar os serviços e ampliar a capacitação dos profissionais. “A Raps é a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) destinada ao atendimento de pessoas com sofrimento ou transtornos mentais, incluindo aquelas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Nessa rede estão, por exemplo, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que oferecem acompanhamento de acordo com a necessidade de cada paciente”, explica a promotora.

Enquanto a RCPD reúne serviços voltados às pessoas com deficiência, incluindo deficiência física, intelectual e transtornos do desenvolvimento, como o autismo. “A intenção é garantir atendimento contínuo e integrado, desde a identificação da necessidade até o acompanhamento especializado”, pontua. Para a promotora, situações de saúde mental não podem ser enfrentadas por um único serviço. “Problemas complexos demandam atuação em rede. Não foi à toa que nós convidamos toda a conexão das redes para trabalhar hoje aqui em conjunto”, disse.

Para Guilherme Leal, secretário municipal de saúde de Coração de Jesus, uma das alternativas para o fortalecimento é o maior financiamento da saúde, para que os executores das políticas públicas, que estão na ponta, tenham mais robustez, a fim de assegurar o atendimento integral. No entanto, ressalta que a entrega de um bom serviço está diretamente relacionada à capacitação e boa gestão. “Existe uma demanda e nós, enquanto agentes públicos, precisamos adequar nossa oferta à demanda mais real que necessita a saúde”, diz.

A preocupação ganha ainda mais importância diante do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio. Problemas de saúde física, doenças crônicas e dificuldades para conseguir tratamento podem também afetar a saúde mental e levar uma pessoa a situações de sofrimento antes mesmo de chegar a um Caps. Nesse contexto, aparece, por exemplo, a fibromialgia, doença cuja persistência da dor, incapacidade, distúrbios do sono, fadiga e sensação de não encontrar tratamento para os sintomas aparecem associados à ideação suicida. O apontamento integra uma revisão científica publicada em 2026 (“Fibromyalgia: Neuropsychological and Clinical Correlates in Suicidal Behavior”, 2026).

A troca de experiências e as reflexões sobre o tema nos dois dias de evento vão pautar as estratégias que devem fortalecer a Macronorte e, posteriormente, ser replicadas para outras regiões, segundo o Consems.

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