
O Ministério da Saúde avalia a incorporação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) injetável de longa duração ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia, administrada a cada dois meses, teve sua proposta encaminhada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deverá analisar o pedido ainda neste mês. Atualmente, a PrEP é disponibilizada pelo SUS na forma de comprimidos, utilizados diariamente ou sob demanda, e combina dois medicamentos — tenofovir e entricitabina — para impedir a infecção pelo vírus HIV.
De acordo com a médica infectologista Cláudia Biscotto, a PrEP é uma estratégia eficaz de prevenção destinada a pessoas com maior risco de exposição ao vírus. Ela explica que o medicamento cria uma barreira de proteção contra o HIV quando utilizado corretamente.
“A PrEP deve ser tomada diariamente para garantir sua eficácia na prevenção ao HIV. É importante destacar que o medicamento protege exclusivamente contra o vírus da imunodeficiência humana e não previne outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Por isso, o uso do preservativo continua sendo fundamental. Caso ocorra alguma intercorrência, como o rompimento ou deslizamento da camisinha durante a relação sexual, a orientação é procurar atendimento médico o mais rápido possível, pois a PrEP não protege contra infecções como sífilis, gonorreia, clamídia e outras ISTs”, ressalta a infectologista.
Caso seja aprovada pela Conitec, a versão injetável representará uma nova alternativa para a prevenção do HIV. Segundo o Ministério da Saúde, a aplicação a cada dois meses poderá facilitar a adesão ao tratamento, principalmente entre pessoas que encontram dificuldades para manter o uso diário da medicação.
FALTA DIVULGAÇÃO
Embora seja disponibilizada gratuitamente pelo SUS, a PrEP ainda é pouco conhecida pela população. Para Cláudia Biscotto, a ampliação das campanhas de informação é essencial para que mais pessoas tenham acesso à estratégia de prevenção e compreendam que ela não substitui o uso do preservativo.
“Realmente falta divulgação da PrEP para que as pessoas tenham mais acesso. Ela é indicada, principalmente, para pessoas que têm relações sexuais com parceiros ocasionais ou apresentam maior risco de exposição ao HIV. Entre os principais públicos estão homens que fazem sexo com homens, mulheres transexuais, heterossexuais com múltiplos parceiros e profissionais do sexo”, afirma.
Para Ellen Carine Martins, de 31 anos, acompanhante de luxo e empresária, o maior desafio é manter a disciplina - lembrar de tomar o comprimido todos os dias e conciliar as consultas e exames com a rotina exige organização.
“No meu caso, eu não tive efeitos colaterais importantes. No início fiquei apreensiva, mas meu organismo se adaptou bem e o acompanhamento médico sempre me deixou mais segura durante o tratamento. O medicamento me deu mais tranquilidade e segurança, mas também me fez criar uma rotina de acompanhamento da minha saúde. Passei a fazer exames regularmente, conversar mais com profissionais de saúde e entender que prevenção vai muito além de um único método. A PrEP não substitui outros cuidados, ela faz parte de um conjunto de atitudes para cuidar da saúde sexual de forma responsável”, enfatiza a empresária.
CASOS DE HIV CRESCERAM EM 2025
Dados do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), referência no tratamento de doenças infecciosas no Norte de Minas, mostram que as notificações de HIV apresentaram crescimento entre 2024 e 2025, passando de 60 para 87 casos, um aumento de 45%. Em 2026, até julho, foram registrados 41 casos.
