Multivacinação

População poderá atualizar a caderneta de vacinação neste sábado (20)

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 19/06/2026 às 19:00.
A pediatra Danielly Andréa dos Santos Dutra alerta que a redução da cobertura vacinal pode favorecer o retorno de doenças graves já controladas no país (Arquivo Pessoal)
A pediatra Danielly Andréa dos Santos Dutra alerta que a redução da cobertura vacinal pode favorecer o retorno de doenças graves já controladas no país (Arquivo Pessoal)

Crianças e adolescentes menores de 15 anos poderão atualizar a caderneta de vacinação neste sábado (20), durante o Dia D da Campanha de Multivacinação em Montes Claros. Os imunizantes estarão disponíveis durante todo o dia em todas as salas de vacinação do município. A estratégia busca ampliar a cobertura vacinal, atualmente em torno de 85%, índice abaixo da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde. A campanha integra uma mobilização estadual voltada à proteção de crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Durante a ação, as equipes de saúde irão avaliar a situação vacinal de cada paciente e aplicar as doses necessárias conforme o Calendário Nacional de Vacinação.

Estarão disponíveis vacinas contra doenças como hepatite B, poliomielite, rotavírus, meningites, pneumonia, sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela, varicela, hepatite A, HPV, gripe e Covid-19, entre outras previstas no calendário oficial. Além do público-alvo principal, jovens de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina contra o HPV também poderão se imunizar até o dia 30 de junho. A orientação é que pais e responsáveis levem o cartão de vacinação para avaliação nas unidades de saúde.

Para a pediatra Danielly Andréa dos Santos Dutra, o Dia D representa uma oportunidade para recuperar esquemas vacinais atrasados e conscientizar a população sobre a importância da imunização. “O Dia D de Vacinação é uma estratégia extremamente importante para ampliar o acesso da população às vacinas e recuperar coberturas vacinais que vêm apresentando queda nos últimos anos. Além de facilitar o acesso por meio da mobilização de equipes e ampliação dos pontos de vacinação, ele também funciona como um grande momento de conscientização sobre a importância da prevenção”, afirma.

Ela destaca que as vacinas são responsáveis por evitar milhões de mortes em todo o mundo todos os anos e representam uma das medidas de saúde pública mais eficazes já desenvolvidas. “Quando uma alta proporção da população está vacinada, ocorre também a chamada proteção coletiva, reduzindo a circulação dos agentes infecciosos e protegendo inclusive aqueles que não podem ser vacinados”, esclarece.

A especialista ressalta que a redução da cobertura vacinal pode favorecer o retorno de doenças graves já controladas no país. “Doenças como sarampo, coqueluche, meningites bacterianas, poliomielite e diversas infecções pneumocócicas podem voltar a circular quando a cobertura vacinal cai abaixo dos níveis recomendados. Além disso, muitas dessas doenças podem deixar sequelas permanentes, como comprometimento neurológico, perda auditiva, limitações motoras e dificuldades cognitivas”, destaca.

Segundo a pediatra, há preocupação entre os profissionais de saúde com a reintrodução de doenças que já haviam sido eliminadas ou controladas no Brasil. “O exemplo mais conhecido é o sarampo. O Brasil chegou a receber o certificado de eliminação da doença, mas voltou a registrar surtos após a redução das coberturas vacinais. Também existe preocupação com a poliomielite (paralisia infantil), uma doença grave que pode causar paralisia permanente e que ainda circula em alguns países”, explica.

Outro desafio apontado pela médica é o impacto da desinformação na adesão às vacinas. De acordo com ela, informações falsas disseminadas principalmente nas redes sociais têm provocado dúvidas e insegurança entre as famílias. “É importante destacar que as vacinas passam por rigorosos estudos de eficácia e segurança antes de serem aprovadas e continuam sendo monitoradas após sua utilização. O diálogo baseado em evidências em fontes seguras é a melhor ferramenta para combater a desinformação”, ressalta.

A campanha também contempla a oferta da vacina Pneumocócica Polissacarídica 23-valente (Pneumo 23), disponível até 30 de junho, ou enquanto durarem os estoques, para pessoas com condições clínicas específicas, como cardiopatias, pneumopatias crônicas, diabetes, doenças renais e imunodeficiências. Para receber a dose, é necessário apresentar documento de identificação, cartão de vacinação e relatório médico ou encaminhamento contendo a condição clínica elegível.

A orientação da pediatra aos pais e responsáveis é não adiar a atualização vacinal. “Minha principal orientação é: não esperem. Nunca é tarde para avaliar a situação vacinal e recuperar doses que estejam em atraso. A melhor vacina é aquela que está em dia. O Programa Nacional de Imunizações do Brasil é uma referência mundial e oferece proteção contra diversas doenças. Complementando essa proteção, a rede privada disponibiliza algumas vacinas ampliadas e tecnologias mais recentes para determinadas faixas etárias e grupos de risco, permitindo uma estratégia ainda mais abrangente de prevenção”, finaliza.

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