
Usuários do sistema de saúde municipal denunciam a falta de acesso a exames e consultas especializadas. A situação, além de agravar a saúde dos pacientes, reflete em uma maratona sem fim, com idas constantes às unidades básicas de saúde, enfrentamento de burocracias e nenhuma resposta. Uma moradora do bairro Delfino Magalhães conta que a demora faz com que ela e a mãe não concluam nenhum tratamento. “Eu e minha mãe passamos por problemas semelhantes. O cardiologista me pediu três exames. Fiz dois há mais de um ano e agora acabou de sair o outro que também estava parado. Demorou tanto que os que eu fiz já estão vencidos. Vou ter que marcar novamente uma consulta”, disse a paciente, que não vislumbra solução para o problema. “Marcar uma nova consulta significa mais espera e novamente outros exames. Vai acontecer a mesma coisa porque eles nunca nos dão o atendimento completo. É um ciclo sem fim”, disse A.M.R., que solicitou para ter seu nome resguardado, temendo interferências de parlamentares que dizem representar a região. A paciente conta que a mãe, idosa, sente muitas dores e, desde 2024, aguarda um raio X. “Foi pedido pela médica do próprio posto de saúde. Até hoje não saiu. Em abril deste ano, uma reumatologista pediu novamente o exame devido à necessidade dela de tratar o problema, mas não existe nem previsão”, conclui.
O caso da moradora do Delfino não é isolado e acontece de norte a sul da cidade. Para a diarista Flávia Cardoso, que mora em outro extremo da cidade, o atendimento no município está crítico. Com a entrada no climatério, ela recorreu ao posto de saúde para amenizar os sintomas. Para saber se pode ou não fazer uma reposição hormonal, são necessários exames que ela não consegue fazer. “Fui ao posto de saúde, tinha acadêmico fazendo atendimento e não tinha na hora, nem caneta para anotar. De lá, me mandaram para a Saúde da Mulher, na policlínica. A mamografia saiu, mas o ultrassom não. E sem ele não posso tratar. É o momento em que estamos mais fragilizadas e falta sensibilidade e assistência do município”, conta Flávia. Ela destaca ainda que não sabe qual é o papel de um agente de saúde, já que toda e qualquer necessidade, é ela mesma quem tem que resolver. As críticas são pontuadas por questionamentos sobre como o município estaria utilizando o recurso que vem do Governo Federal. “A gente vê que tem os programas, são bons, mas em Montes Claros eles não se preocupam em gastar na saúde, contratar profissionais, dar atendimento decente. Quando o médico do posto tira férias, a gente fica sem ninguém. Sendo que as férias foram programadas. Eles têm tempo para planejar a substituição, mas deixam vago”, reclama.
Nos últimos dias, as redes sociais também têm mostrado relatos de situações sensíveis sem nenhuma conclusão. A Prefeitura de Montes Claros foi procurada pela reportagem para falar sobre o assunto e esclarecer por que não cumpre as políticas de saúde disponibilizadas pelo Governo, mas, até o fechamento da edição, não deu retorno.
Usuários do SUS podem utilizar o canal do Governo Federal/Ministério da Saúde para fazer denúncias sobre a gestão da saúde em Montes Claros. Para isso, devem acessar o link abaixo e preencher o formulário:
https://ouvidor.saude.gov.br/public/form-web/registrar
