
Com a transição do verão para o outono, é preciso ficar atento para um fenômeno recorrente: o aumento significativo de doenças respiratórias e crises alérgicas. A nova estação, que começou oficialmente na última sexta-feira (30), é marcada por mudanças climáticas que favorecem a circulação de vírus e o agravamento de quadros já existentes.
A queda gradual das temperaturas, aliada à redução da umidade do ar em diversas regiões, cria um ambiente propício para a proliferação de agentes infecciosos. Além disso, é comum que as pessoas passem mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados, o que facilita a transmissão de vírus como os responsáveis por gripes e resfriados.
O médico pneumologista, Daniel Abolafio Gontijo, que atende no Hospital das Clínicas Doutor Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), chama atenção para as doenças mais comuns nesse período: a gripe, o resfriado, a sinusite e a bronquite. “Entre as doenças mais comuns nesse período, destacam-se as infecções como resfriados e gripe, além de condições alérgicas, como rinite. Também é frequente a piora de doenças crônicas, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), especialmente em pacientes mais vulneráveis, como crianças e idosos”, pondera o médico especialista.
Também é comum as pessoas confundirem os vírus, doenças e infecções, pois, os sintomas são parecidos. Segundo o pneumologista Daniel Gontijo, a diferenciação entre alergias sazonais e infecções respiratórias é fundamental para o manejo adequado.
“Nas alergias, predominam sintomas como coriza clara, espirros frequentes, coceira no nariz e nos olhos, geralmente sem febre e com início relacionado à exposição a alérgenos, como poeira, ácaros ou mofo. Já nas infecções virais, como gripe e resfriado, são mais comuns sintomas sistêmicos, como febre, dor no corpo, mal-estar, além de secreção nasal que pode se tornar mais espessa e presença de tosse e dor de garganta”, explica o médico.
Para reduzir o risco de problemas respiratórios no outono, algumas medidas preventivas altamente recomendadas. A higiene frequente das mãos continua sendo uma das estratégias mais eficazes para prevenir infecções. Manter os ambientes ventilados, evitar aglomerações, especialmente em locais fechados, e manter a vacinação atualizada – principalmente contra influenza – são medidas essenciais.
“Pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma e DPOC, devem ter atenção redobrada nesse período. Em muitos casos, pode ser necessário ajustar o tratamento, seja por meio da otimização da terapia inalatória, reforço na adesão medicamentosa ou revisão do plano de ação para exacerbações. O acompanhamento médico regular é fundamental para prevenir descompensações e reduzir o risco de internações”, alerta o médico Daniel Gontijo.
A hidratação também é essencial, mesmo com a sensação reduzida de sede em dias mais frios. Beber água ajuda a manter as mucosas hidratadas, fortalecendo a defesa do organismo contra agentes externos. A vacinação contra a gripe, disponível anualmente, é outra importante aliada, especialmente para grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
