Legislação trabalhista

NR-1 passa a exigir gestão de riscos psicossociais nas empresas

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 30/04/2026 às 23:47.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social indicam que o Brasil bateu recorde, em 2025, de afastamentos do trabalho por transtornos mentais como ansiedade, depressão e burnout. O aumento foi de mais de 15% em relação ao ano anterior, com mais de 540 mil trabalhadores afastados. A partir de 26 deste mês, no entanto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade das empresas ao incluir, de forma obrigatória, a gestão de riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) das empresas, passa a ser fiscalizada. 

A partir dessa data, organizações que não estiverem adequadas poderão ser autuadas em inspeções conduzidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A exigência marca o fim do período educativo iniciado em 26 de maio de 2025, criado para que as empresas se adaptassem às novas diretrizes. Com isso, fatores como estresse, assédio, sobrecarga, pressão excessiva e burnout passam a integrar obrigatoriamente o inventário de riscos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Segundo a psicóloga Magda Aquino, a norma define como as empresas devem estruturar o cuidado com a saúde e a segurança no ambiente de trabalho, mas hoje exige uma atuação contínua. Ela reforça que a mudança altera a lógica de atuação das empresas. “Na prática, não é mais sobre agir depois do problema. É sobre prevenir situações que podem gerar afastamentos, queda de desempenho e prejuízos”, afirma.

Com a atualização, a rotina corporativa passa a exigir organização permanente. “As empresas precisam mapear riscos físicos, ergonômicos e psicossociais, implementar ações preventivas, treinar equipes e documentar tudo isso dentro do PGR”, diz. Do lado dos trabalhadores, o impacto também é direto. “Os colaboradores passam a atuar em ambientes mais seguros e estruturados, recebem mais orientações e treinamentos, mas também têm responsabilidade de seguir as normas e cuidar da própria segurança”, completa.

A principal mudança está na inclusão obrigatória da saúde mental na gestão de riscos. De acordo com a psicóloga, esse ponto exige uma abordagem técnica e contínua. Ela detalha que esses riscos estão ligados à forma como o trabalho é organizado. “Fatores como estresse, pressão, sobrecarga e ambiente organizacional passaram a exigir olhar técnico. Quando não são gerenciados, podem gerar adoecimento emocional, aumento de afastamentos, conflitos internos e queda de produtividade”, explica.

A especialista também alerta para as consequências da negligência. “Empresas que não fazem esse acompanhamento tendem a lidar com aumento de absenteísmo, presenteísmo, turnover e até passivos trabalhistas. Além disso, há impacto direto nos resultados, porque equipes sobrecarregadas e desmotivadas produzem menos”, diz.

Para ela, a aplicação efetiva da norma traz efeitos diretos na gestão. “Quando a empresa trabalha com prevenção e gestão contínua, ela reduz retrabalho, desenvolve lideranças mais preparadas e melhora o clima organizacional”, diz. No entanto, reforça que a mudança central é cultural. “A saúde do trabalhador deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser parte da estratégia da empresa. Isso se reflete em equipes mais saudáveis, mais engajadas e com melhor desempenho”, conclui.

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