
Nem toda alteração nos exames da tireoide durante a gravidez significa que a gestante precisa de tratamento. Essa é uma das principais mudanças trazidas pelas novas recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), que passam a defender uma avaliação individualizada e deixam de indicar o tratamento preventivo em situações nas quais ele não demonstrou reduzir riscos como aborto e parto prematuro.
A mudança, divulgada no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), no final de agosto, promovido pela instituição, foi baseada em três grandes estudos recentes, que demonstraram que o tratamento preventivo não diminui riscos de abortamento ou parto prematuro. A recomendação também acompanha a atualização publicada em junho de 2026 por uma das principais entidades médicas internacionais na área, a American Thyroid Association (ATA), substituindo a versão de 2017.
A tireoide é uma glândula que produz hormônios que participam de diversas funções do organismo, como o controle do metabolismo, dos batimentos cardíacos e da temperatura corporal. No período da gravidez, os hormônios também têm papel importante no desenvolvimento do bebê, especialmente na formação do cérebro e do sistema nervoso. O diagnóstico e o tratamento adequados ajudam a reduzir complicações e permitem que a gestação seja acompanhada com mais segurança.
De acordo com a ginecologista e obstetra Carolina Prado, do Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), as recomendações mais recentes reforçam a importância de identificar e tratar o hipotireoidismo nessa fase, já que os hormônios da tireoide são fundamentais para o desenvolvimento do bebê e para a saúde da mãe, mas a mudança principal, sugere a abordagem mais individualizada. “Nem toda alteração nos exames significa que a gestante precisará de tratamento”, explicou.
A decisão, conforme a médica, deve considerar os níveis de TSH e T4 livre, a presença de anticorpos contra a tireoide e o momento da gestação. “Quando indicado, o tratamento é feito com levotiroxina, um hormônio semelhante ao produzido naturalmente pela tireoide e considerado seguro na gravidez. Durante a gestação, a dose pode precisar ser ajustada e os exames devem ser acompanhados regularmente”, disse. Carolina acrescentou que “o mais importante é que a gestante faça o pré-natal e não interrompa ou inicie o medicamento por conta própria”.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país registrou um total de 2.376.901 nascidos vivos em 2024. Manter as consultas em dia e seguir as orientações da equipe de saúde são atitudes que contribuem para uma gravidez mais segura. O cuidado com a tireoide é apenas uma parte desse acompanhamento. O pré-natal possibilita monitorar a saúde da mãe e do bebê, identificar possíveis alterações em tempo hábil e realizar exames importantes que avaliam, entre outras situações, anemia, diabetes, infecções e condições que interfiram na gravidez.
