Menos fila, mais saúde

Mutirão no HCMR realiza mais de 1.200 atendimentos em Montes Claros

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 23/03/2026 às 19:00.
Ruy e Raquel Muniz afirmaram que no Mário Ribeiro o SUS funciona e celebraram o resultado, agradecendo à equipe. (Márcia Vieira)
Ruy e Raquel Muniz afirmaram que no Mário Ribeiro o SUS funciona e celebraram o resultado, agradecendo à equipe. (Márcia Vieira)

Durante todo o último final de semana, o Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), em Montes Claros, recebeu mais de 1.200 pessoas para cirurgias, consultas e exames, dentro de mais um mutirão de saúde.

O impacto na saúde pública é extremamente positivo e motivo de felicidade para a médica Luciana Santana, uma das diretoras da instituição. “Fizemos um estudo de territórios para definir o que é prioridade no Norte de Minas, levamos para a nossa alta diretoria, professor Ruy Muniz e Dra. Raquel Muniz, que imediatamente abraçaram esse grande mutirão e está aí essa coisa linda”, disse a médica. Luciana pontuou que esse mutirão em especial foi dedicado às mulheres e que houve um aprimoramento na iniciativa.

“Além de fazer mais de 500 cirurgias, abrimos o Cemed/ Campus Amazonas para exames de ultrassom, tomografias, exames de eco, eletro e consultas especializadas na área de oftalmo, otorrino, cardiologia, ginecologia e ortopedia”.

Às 7h da manhã, a movimentação no local já era intensa. Enquanto aguardavam a sua vez, pacientes foram recebidos com lanche, café e música ao longo do dia, situações que já fazem parte da rotina do hospital. Antônia da Silva é de Mato Verde e chegou ao hospital por volta das 7h, acompanhada da filha, para se submeter à cirurgia renal. “Fomos bem acolhidas, já havia feito os exames necessários e estou animada”, disse a paciente, ressaltando que o tempo de espera antes de conseguir a cirurgia provocou alteração no seu quadro. “A pedra desceu tanto que ficou difícil de tirar. Eu ia ao médico, mas como vivo de aposentadoria, não conseguia fazer a cirurgia. A pedra cresceu e afetou meu rim. Agora fui abençoada com essa oportunidade”. A filha, Claudineia Ribeiro, foi pela primeira vez à unidade e destacou que “o hospital é essencial para Montes Claros e região, principalmente para aqueles que não têm recursos financeiros para acessar assistência dessa magnitude. Chegar aqui e encontrar profissionais capacitados é muito importante e gratificante para nós”, afirmou.

A professora Jaqueline Moreira Borges, de Montes Claros, espera há um ano e meio por um exame de pulmão. É a partir dessa avaliação que ela vai saber se está pronta para enfrentar uma cirurgia. “Só faltava esse exame. Tenho dificuldade para respirar, sinto muita falta de ar. Se eu já tivesse feito o exame, teria feito um tratamento, a cirurgia, e com certeza já teria outra qualidade de vida”, disse, desejando que o mutirão da saúde chegue a todos. “É uma iniciativa muito boa e espero que mais pessoas sejam atendidas. Quanto menos gente na fila, mais gente tratada e com saúde”.

Uelda Cardoso veio de Icaraí de Minas, passou pelos trâmites na secretaria de saúde da sua cidade e no sábado chegou cedo para fazer a laqueadura. “Já tinha referência do hospital, minha mãe faz acompanhamento aqui e ela está muito feliz. Fiz risco cirúrgico e tudo que precisava para me preparar para este momento”, disse a paciente que aguardava no segundo andar do prédio, após ter passado pelo checklist cirúrgico, identificação, vestimenta adequada e sinais vitais verificados.

Em um intervalo entre uma e outra cirurgia, a reportagem conversou com o médico cirurgião Henniky Nascimento, que destacou como se sente ao ser um dos condutores da ação. “É grande a satisfação de participar desse momento, dar oportunidade para vários pacientes em Montes Claros e todo o Norte de Minas. Fazer com que eles consigam encaixar sua cirurgia eletiva, sua cirurgia de especialidade. Já fizemos algumas, hoje temos urologia, cirurgia geral, cirurgia do aparelho digestivo, entre outras”, disse o médico, observando que houve toda uma preparação para receber o volume de pessoas. “Estamos com equipe de cirurgia reforçada, técnicos, instrumentadores, cirurgiões, anestesistas. Então, a gente preparou todo o ambiente hoje do hospital para receber a nossa população com muito respeito. Com isso, nós conseguimos adiantar essa fila do SUS hoje, sendo tão grande. Vejo o mutirão como um salto e oportunidade para a população conseguir a sua cirurgia eletiva”.

O evento focou na saúde da mulher, mas os homens também tiveram a sua necessidade atendida. Antônio das Graças, de Buritizeiro, aguardava pela colocação de uma prótese no quadril. “É a primeira vez que venho ao hospital. A recepção que a gente tem aqui ajuda a relaxar e ficar mais tranquilo para a cirurgia”, declarou.

Para o professor Ruy Muniz, que chegou nas primeiras horas da manhã ao hospital com a médica Raquel Muniz e acompanhou os dois dias da ação, são vários os impactos positivos com a iniciativa, sendo o maior deles a diminuição da sobrecarga no sistema de saúde e contribuição para melhor organização da demanda nos atendimentos regulares. “Finalizando mais um mutirão, o sentimento é um só, de gratidão. Agradecemos a cada profissional de saúde que colaborou, à Funorte, aos programas de residência médica e a todo o sistema único de saúde, desde o Ministério da Saúde, à Secretaria de Estado da Saúde e às secretarias municipais de saúde. O SUS aqui no Mário Ribeiro funciona de fato. Foram muitos atendimentos realizados. Viva a saúde e viva o SUS”, comemorou o fundador da unidade.

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