Perigo silencioso

Morte de menina por picada de escorpião expõe risco elevado para crianças

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 10/07/2026 às 19:00.
Pediatra Cindy Melo reforça que as crianças são as mais afetadas pela picada , porque tem menos massa muscular. Atendimento rápido é essencial (Márcia Vieira)
Pediatra Cindy Melo reforça que as crianças são as mais afetadas pela picada , porque tem menos massa muscular. Atendimento rápido é essencial (Márcia Vieira)

A morte de Valentina Lima Nobre, de 11 anos, no último dia 5 de julho, após ser picada por um escorpião, acendeu um alerta para os riscos desse tipo de acidente, especialmente entre crianças, um dos grupos mais vulneráveis. Segundo informações, a menina foi ferroada ao calçar um tênis e estava internada em Brasília (DF) desde 12 de junho.

De acordo com a pediatra Cindy Machado Melo, isso acontece principalmente porque a criança tem menor massa corporal. “A criança é menor, então o veneno age com muito mais agressividade. Além disso, ele tem um tropismo pelo coração e pode provocar alterações cardíacas importantes, comprometendo a vida”, explica.

Cindy ressalta que o fator que mais influencia na recuperação é o atendimento precoce. “O que muda o desfecho do acidente escorpiônico é a aplicação do soro antiescorpiônico nas primeiras horas após a picada. Depois disso, a criança precisa ser monitorada, principalmente em relação ao coração e aos pulmões, porque pode evoluir com insuficiência cardíaca e edema agudo de pulmão”, afirma.

Casos graves exigem internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a equipe médica acompanha de perto a evolução do quadro e inicia os tratamentos necessários. A médica acentua que muitas vezes os pais não identificam o animal de imediato, e crianças menores, como os bebês, não têm como explicar, daí a importância de estar atento aos sinais. “Toda vez que um bebê começar com um choro súbito, incontrolável, que não se sabe a causa, é importante levar à emergência e pensar na possibilidade. Procurar o local da picada, tirar toda a roupa, verificar no local onde a criança está se não encontra o escorpião, enquanto alguém a leva ao hospital. Muitas vezes acontece da mãe chegar à emergência com a criança e alguém ligar avisando que encontrou. Isso ajuda muito a equipe médica a conduzir, porque já tem um norte, mas algumas vezes eles não aparecem e os médicos não podem descartar. Na nossa região, temos que pensar nisso”, diz.

O Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), é referência nesse tipo de atendimento na região. Dados do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (Nuveh) referentes a 2025 apontam para 2.711 casos de vítimas de picadas de escorpião, com 267 casos em janeiro, 262 em fevereiro, 302 em março, 192 em abril, 213 em maio, 211 em junho, 197 em julho, 224 em agosto, 179 em setembro, 148 em outubro, 239 em novembro e 277 em dezembro. No ano de 2026, foram 197 atendimentos em janeiro, 198 em fevereiro, 193 em março e 274 em abril. De acordo com os especialistas, os registros são mais comuns em períodos quentes e chuvosos.

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